Dispensa de licitação e superfaturamento de contrato motivaram mais uma denúncia contra o ex-Prefeito Juliano Mendonça Jorge
A Operação Cartas em Branco, que investiga fraudes em licitações na Prefeitura de Miguelópolis, teve um novo desdobramento com a denúncia do Ministério Público Federal contra 11 pessoas, incluindo o ex-prefeito Juliano Mendonça Jorge.
Desvio de Verbas do Fundeb
A denúncia aponta desvio de verbas do Fundeb por meio do superfaturamento de contratos com a empresa Dina Traslados e Turismo, de propriedade de Godofredo Nazário. A empresa prestava serviços de transporte escolar e de pacientes com valores incompatíveis com a realidade, com pagamentos superiores em meses com menos dias letivos e sem controle sobre o número de pessoas atendidas. Segundo o procurador da República Gabriel da Rocha, autor da denúncia, a fraude começou a ser arquitetada ainda no período eleitoral.
Licitação Direcionada e Coação
A investigação revelou indícios de direcionamento da licitação para favorecer a empresa Dina Traslados e Turismo. A empresa teria contribuído para a campanha do ex-prefeito Juliano. Após dois pregões frustrados, a empresa foi contratada, mesmo com indícios de que o processo foi manipulado para sua contratação. Um empresário concorrente relatou ter sido coagido a não participar da licitação, resultando em um contrato aproximadamente R$ 1 milhão acima do valor de mercado. Além disso, houve superfaturamento por meio da manipulação das distâncias percorridas e do valor do quilômetro rodado.
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Consequências e Desdobramentos
Juliano Mendonça Jorge e Godofredo Nazário foram denunciados por peculato (desvio de dinheiro público), enquanto os demais respondem por fraudes em licitação. O processo tramita na Justiça. Paralelamente, o Gaeco de Franca continua as investigações sobre o esquema, que desviou mais de R$ 6 milhões entre 2013 e 2016, com o suposto envolvimento de cinco vereadores da época. A Operação Cartas em Branco, deflagrada em 19 de abril de 2016, resultou na prisão de Juliano Mendonça Jorge em janeiro deste ano, condenado junto a outras 14 pessoas por crimes como corrupção, organização criminosa e desvio de dinheiro público.



