Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
O juiz da Infância e Juventude de Ribeirão Preto, Dr. Paulo César Gentili, suspendeu o programa de apadrinhamento na cidade, citando riscos potenciais para as crianças acolhidas. A decisão visa proteger os menores de situações que podem comprometer seu bem-estar, especialmente considerando que o programa não é diretamente gerido pelo Poder Judiciário, mas sim por instituições de acolhimento e ONGs.
Riscos do Apadrinhamento Fora dos Abrigos
Uma das principais preocupações levantadas pelo juiz é a retirada das crianças do ambiente protetor dos abrigos para passarem tempo com padrinhos. Dr. Gentili enfatiza que o Estado, ao encaminhar uma criança para um abrigo, assume a responsabilidade por sua segurança e bem-estar. A prática de levar as crianças para lares de padrinhos pode apresentar riscos, como interferências indevidas no processo judicial, tentativas de burlar a fila de adoção, e até mesmo casos de pedofilia e agressão.
Alternativas Seguras para Ajudar Crianças Acolhidas
O juiz sugere que as famílias interessadas em ajudar os menores que aguardam adoção podem fazê-lo de outras formas, diretamente nos abrigos. Ele destaca o programa Família Acolhedora, previsto em lei, como uma alternativa formal e oficial que diminui os riscos. Este programa, que será implementado em Ribeirão Preto, seleciona, prepara e cadastra famílias para acolherem temporariamente crianças, oferecendo um ambiente familiar seguro e carinhoso, com a consciência de que a criança retornará à família de origem ou será encaminhada para adoção.
O Trabalho das ONGs e a Capacitação para Adoção
Ana Maria Caviola, presidente de uma ONG que prepara famílias para adoção e atua como família acolhedora, explica que a organização oferece capacitação para pretendentes à adoção, abordando temas polêmicos e difíceis. Além disso, a ONG realiza um trabalho de apadrinhamento afetivo, financeiro ou profissional com crianças abrigadas, identificando o perfil de cada voluntário para que possa ajudar da melhor forma possível. Para o próximo ano, a ONG planeja implementar o programa Família Acolhedora para crianças de 0 a 5 anos, que serão acolhidas em lares familiares em vez de instituições.
A prioridade é garantir a segurança e o bem-estar das crianças acolhidas, buscando alternativas que promovam um ambiente protetor e afetuoso.



