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A polêmica em torno da construção da estação Catedral, um projeto com custo estimado em R$ 1,2 milhão e que visa beneficiar cerca de 40 mil pessoas, continua gerando debates acalorados em Ribeirão Preto. A proposta inclui a construção de cinco plataformas, com três delas cobertas, mas a sua localização tem sido o principal ponto de discórdia.
A Disputa Entre Prefeitura e Defensores do Patrimônio
De um lado, a prefeitura defende a construção, amparada por laudos técnicos que asseguram que o tráfego de veículos pesados na região central não comprometerá a estrutura da Catedral. Do outro, o Padre Chico, juntamente com entidades de defesa do patrimônio, argumenta que o funcionamento da estação pode, sim, prejudicar o edifício histórico.
A Intervenção Legislativa e a Resposta Judicial
A Câmara Municipal chegou a aprovar um projeto que proibia qualquer construção no entorno das praças onde a estação seria instalada, após a manifestação de representantes das entidades e da Igreja Católica. A prefeitura, por sua vez, recorreu ao Tribunal de Justiça, alegando que a lei municipal feria o princípio constitucional da separação de poderes e inviabilizaria as adequações do mobiliário urbano. Atualmente, prevalece a decisão do Tribunal de Justiça, que suspendeu a vigência da lei municipal.
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O Alerta do Conselho do Patrimônio Cultural e as Críticas ao Projeto
Noemi Costa Pereira, presidente do Comparque (Conselho do Patrimônio Cultural de Ribeirão), afirma que os laudos que comprovam os possíveis danos à estrutura da Catedral seriam suficientes para que a prefeitura reconsiderasse a localização da estação. Críticas também vêm do secretário executivo do Ferp (Fórum das Entidades de Ribeirão), Cantí de Maganini, que questiona a insistência da prefeitura em construir as estações nas praças, sugerindo que a motivação seria a economia nos investimentos.
Preocupações com Rachaduras e a Campanha da Igreja
A Igreja Católica, por meio do Padre Chico, tem expressado preocupação com o aumento do tráfego de veículos pesados na rua Lafayette, atrás da Catedral, e o surgimento de novas rachaduras no prédio. A igreja intensificou uma campanha para arrecadar recursos para uma reforma, buscando obter mais de R$ 10 milhões para a primeira fase da restauração, que deve manter a igreja fechada por dois anos. A aprovação dos conselhos Condefar e Compaque é aguardada para o início das obras.
Enquanto o debate continua, a necessidade de conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação do patrimônio histórico permanece no centro das discussões.



