Em Ribeirão Preto, apenas 108 leitos são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
O Brasil enfrenta uma grave crise na saúde mental, com uma escassez alarmante de leitos psiquiátricos. Dados apontam a existência de 36.387 leitos, sendo 25 mil pelo SUS, distribuídos em 159 hospitais. A situação é ainda mais crítica em alguns locais, como Ribeirão Preto, que possui apenas 108 leitos públicos para uma região com mais de 1 milhão de habitantes.
Falta de Leitos e o Sofrimento das Famílias
A falta de leitos impacta diretamente a vida de pacientes e familiares. Isildinha Selane, por exemplo, luta há 16 anos por uma vaga para o filho, que já precisou de internação cinco vezes, sempre por curtos períodos. A busca por ajuda na Defensoria Pública também se mostrou infrutífera. A situação ilustra a angústia de quem vê um ente querido sem acesso a tratamento adequado e prolongado.
Pressão por Mudanças e o Debate sobre o Modelo de Atendimento
O Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria reconhecem a necessidade de mudanças no modelo de atendimento, mas defendem a humanização do atendimento hospitalar, sem sua extinção. A restrição de internações preocupa as entidades, principalmente no caso de pacientes em surto ou sem vínculos familiares. Luiz Damaceno, coordenador do Conselho Municipal sobre Álcool e Drogas, destaca a necessidade de tratamento completo, com internações mais prolongadas e reinserção social, em vez de internações curtas seguidas de retorno às ruas e recaídas.
O Cenário em São Paulo e as Propostas de Solução
Em São Paulo, a falta de leitos psiquiátricos é ainda mais gritante, com mais de 20 mil vagas a menos. O número de leitos caiu 40% em 11 anos, resultando em um leito para cada 4 mil habitantes, muito abaixo da recomendação da OMS (1 para cada 2.200). Yusuf Ali Mery Jr., presidente da Federação dos Hospitais do Estado de São Paulo, menciona um emandamento com a portaria ministerial para reavaliar os valores pagos e regulamentar comunidades terapêuticas como alternativa de custo mais baixo e próximo aos pacientes. O fechamento de unidades de atendimento psiquiátrico é atribuído a uma política de sufocamento do modelo de internação pelo governo federal, que prioriza o atendimento ambulatorial e terapêutico.
A situação da saúde mental no Brasil exige ações urgentes e eficazes. A busca por soluções que contemplem tanto o atendimento ambulatorial quanto a necessidade de internação em casos específicos é fundamental para garantir o acesso a um tratamento digno e humanizado para todos que precisam.



