Barracão era usado para o processamento de hortifrutis; centro da Operação Alba Branca, Cooperativa tem dívida de R$ 5 milhões
A Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (COAF), envolvida em investigações sobre a Máfia da Merenda, tem até o dia 15 deste mês para devolver R$ 435.300,00. O valor foi repassado para a construção de uma unidade de processamento de legumes e frutas em Bebedouro, interior de São Paulo.
O Projeto Abandonado
A construção do prédio, localizada às margens da Rodovia Armando de Salles Oliveira, no Distrito Industrial, teve início no segundo semestre de 2013. No entanto, as obras foram interrompidas, deixando no local apenas uma estrutura metálica abandonada, sem paredes ou cobertura. A área pertence à prefeitura de Bebedouro, que decidiu revogar a cessão.
Segundo Lucas Serem, diretor do departamento de desenvolvimento, a decisão de reaver a área pública se justifica pela ausência de investimentos que beneficiem a sociedade de Bebedouro. Com a revogação, a COAF fica impedida de continuar o projeto, cujo valor inicial era de R$ 1.266.000,00, com R$ 800.000,00 provenientes do governo estadual e R$ 466.000,00 da própria entidade.
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Dificuldades Financeiras e Implicações Legais
O advogado William Rafael Gimenez afirma que a COAF ainda não foi notificada da decisão. Ele alega que, apesar de um déficit de R$ 5 milhões após a constatação das fraudes, a cooperativa pretende concluir a obra com recursos que seriam destinados pelo governo estadual. Questionado sobre a possibilidade de usar recursos próprios, o advogado descartou essa opção, dada a situação financeira da COAF.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo informou, por meio de nota, que enviou um ofício à COAF solicitando a devolução do dinheiro repassado pelo projeto de desenvolvimento rural sustentável Microbacias II. Os repasses já haviam sido suspensos em fevereiro, após o início da Operação Alba Branca, que investiga fraudes em licitações da merenda escolar.
Reformulação e Atividades Atuais
O novo presidente da COAF, Nilsson Fernandes da Silva, declarou que a cooperativa está em fase de reformulação, alheia a investimentos de ordem pública. Atualmente, a COAF mantém uma loja de hortifruti em Bebedouro e participa de feiras livres para a venda de seus produtos.
Diante do cenário, a COAF enfrenta desafios para superar o escândalo e retomar suas atividades, buscando alternativas para honrar seus compromissos e continuar a atender seus cooperados.



