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Estatuto da igualdade racial completa seis anos no Brasil

Negros representam 52,9% dos brasileiros, segundo pesquisa nacional por amostras de domicílios
Estatuto da igualdade racial
Negros representam 52,9% dos brasileiros, segundo pesquisa nacional por amostras de domicílios

Negros representam 52,9% dos brasileiros, segundo pesquisa nacional por amostras de domicílios

O debate sobre igualdade racial no Brasil persiste, marcado por divergências e discriminações que contradizem a aparente evolução da sociedade. Apesar dos seis anos do Estatuto da Igualdade Racial, a sensação é de que os avanços são lentos e insuficientes.

A Perspectiva da Consciência Negra

Maria José Meneses, bióloga e integrante do núcleo de consciência negra da USP, ressalta a necessidade de amadurecimento da sociedade brasileira para que o negro seja verdadeiramente respeitado. Ela aponta a falta de aplicação prática do estatuto, a dificuldade em levar denúncias de racismo a sério e a influência de uma mídia que, segundo ela, ainda perpetua estereótipos negativos sobre a população negra.

Meneses destaca a segregação que o negro ainda enfrenta no Brasil, vivendo à margem da sociedade e sujeito a estereótipos. Ela enfatiza a importância de desconstruir a imagem do negro como um ‘extravo’ e reconhecer sua história de contribuição para a construção da sociedade. A bióloga também menciona o mercado de trabalho e a escola como agentes de opressão e racismo, que contribuem para o abandono escolar por parte de crianças negras.

Cotas Raciais: Reparação Histórica?

Antônio Luiz Oliveira, advogado e membro do Conselho Municipal de Igualdade Racial em Ribeirão Preto, defende as cotas para negros e pardos como uma forma de justiça retroativa. Ele argumenta que as cotas são um direito e uma reparação por anos de racismo institucional. Oliveira questiona a representatividade de negros em posições de destaque, como promotores de justiça, juízes, delegados, médicos e empresários, evidenciando o déficit existente.

O Racismo e os Jovens

Oliveira expressa preocupação com o racismo que atinge os jovens, criando barreiras que desmotivam negros e pardos em idade escolar a buscarem uma vida profissional bem-sucedida. Ele ressalta que o racismo ainda é uma realidade escancarada e que jovens negros estão morrendo nas periferias, sem acesso à educação, lazer e equipamentos públicos que os afastem da violência.

Embora existam dispositivos legais e políticas afirmativas, a efetivação da igualdade racial ainda enfrenta desafios significativos, demandando um esforço contínuo para desconstruir preconceitos e promover a inclusão.

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