Cidade enfrenta a maior seca dos últimos 11 anos
Ribeirão Preto, cidade paulista que depende 100% do aquífero Guarani para abastecimento de água, enfrenta uma grave crise hídrica. A estiagem prolongada causou o rebaixamento do nível da água em uma lagoa da região, impactando moradores e o meio ambiente.
Impacto da estiagem na Lagoa
Amparo Belo Poteu, moradora há 23 anos em frente à lagoa, relata nunca ter visto a situação tão crítica. Mesmo com ações de preservação, como plantio de árvores e limpeza da área, a seca intensa superou os esforços para manter o nível da água. A redução do nível da lagoa, no entanto, não indica necessariamente a mesma situação no aquífero Guarani, segundo Paulo Finote, ambientalista e presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente.
Vazamentos e falta de investimento
Finote aponta para outros problemas cruciais: vazamentos em tubulações e a falta de investimento em reservatórios de água. A pressão constante nas adutoras, funcionando quase 24 horas por dia, agrava o problema. Um estudo de 2012 revelou que o nível do aquífero em Ribeirão Preto diminuiu 70 metros nos últimos 80 anos, reforçando a necessidade de medidas urgentes. Como alternativa, discute-se o plano B: captação de água do Rio Pardo, apesar do alto custo envolvido no processo de tratamento e distribuição.
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Preservação do Aquífero e expansão urbana
A zona leste de Ribeirão Preto, onde se concentra a maior parte do aquífero Guarani na cidade, é alvo de debates sobre preservação. A promotora do Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), Cláudia Rabibi, destaca a preocupação com a expansão urbana na região. Embora o desenvolvimento econômico seja necessário, a conciliação com a proteção ambiental é fundamental. Em 2015, uma liminar judicial congelou a urbanização da área, mas a decisão foi suspensa após recurso da prefeitura. O julgamento final está previsto para o final do ano. A água é um recurso essencial, e sua preservação é vital para o futuro de Ribeirão Preto.



