Prefeitura do município decretou situação de emergência devido a falta de água; moradores relatam torneiras secas em bairros
A cidade de Barretos enfrenta uma grave crise no abastecimento de água devido a uma estiagem prolongada que já dura cerca de 160 dias. A situação motivou a prefeitura a decretar estado de emergência para tentar minimizar os impactos causados pela falta de água, Estiagem prolongada afeta abastecimento de água em Barretos, que afeta diversos bairros, especialmente as regiões mais altas da cidade.
Impacto da estiagem prolongada em Barretos
O problema tem afetado diretamente a rotina dos moradores, Estiagem prolongada afeta abastecimento de água em Barretos, que convivem com a escassez de um recurso básico e essencial. No bairro Santa Teresinha, por exemplo, moradores relatam a ausência de água nas torneiras por longos períodos. Márcia Cristina, residente da região, explica que precisa comprar água para consumo diário e utiliza o pouco que chega para limpeza e outras necessidades domésticas.
“A água pagava em normal, a gente paga, né? Mas não estamos tendo. A gente até entende que não está chovendo, que às vezes pode até mesmo ser por causa de falta de chuva, mas em alguns bairros e outros não, que nem no caso hoje que nós passamos de carro e eu vi o cara lavando de maquininha na rua, uma calçada, né? Até gritei para ele e ele nem se preocupou, continuou lavando a rua como se nada tivesse acontecendo. É, ainda tem desperdício.”
Outra moradora do mesmo bairro, Rouse Girardi, que trabalha como cuidadora de idosos, relata as dificuldades enfrentadas no dia a dia devido à falta de água, como a impossibilidade de tomar banho adequadamente e a dificuldade em manter a higiene pessoal e da casa.
“Não tem água para tomar banho, como que eu faço? Chego no serviço suja, suada, fica tudo sujo, como que você faz com sujeira? Como que você convive com sujeira? Monte de louça para lavar roupa, não tem, se você ver aqui, ó, não tem condições mesmo.”
Medidas adotadas pela prefeitura e reclamações da população: Em resposta à crise, a prefeitura de Barretos disponibilizou caminhões-pipa para abastecer os bairros mais afetados. No entanto, a demanda tem sido maior do que a oferta, e muitos moradores reclamam que, apesar dos pedidos, a água não chega. A professora Fabiana Galvão, por exemplo, destaca que a frota disponível está reduzida devido a problemas mecânicos.
“A demanda está muito grande, tem dois caminhão que está quebrado. Essa desculpa que está dando.”
O superintendente do Serviço de Água de Barretos, Marcelo Borges, reconhece a alta demanda e afirma que a prioridade é atender escolas, hospitais e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como acamados. Ele também ressalta a importância da economia de água por parte da população para que o recurso possa ser distribuído de forma mais eficiente.
“A fila existe, estamos com uma demanda muito alta dos caminhões pipa. Nós temos que priorizar escolas e hospitais. Nós priorizamos, por exemplo, pessoas que estão em situação de maior vulnerabilidade, pessoas que estão acamadas. A gente tenta estar tendendo essa população mais urgentemente. Nós esperamos que as pessoas que empatiam nesse momento economizem água para que chegam aos outros que estão nos tendo maior dificuldade para entregar água.”
Marcelo Borges também informou que não está prevista a compra de novos caminhões-pipa para ampliar a frota, o que limita a capacidade de atendimento emergencial.
Contexto do decreto de emergência: O decreto publicado pela prefeitura na última sexta-feira oficializa a situação de emergência em Barretos devido à falta de chuvas e ao impacto no abastecimento de água. O documento destaca que o racionamento é mais rigoroso nos bairros localizados em áreas mais elevadas da cidade, onde a distribuição já é naturalmente mais difícil.
Além do decreto, a administração municipal tem buscado alternativas para mitigar os efeitos da crise, mas a solução definitiva depende da normalização do volume de chuvas na região.
Repercussão social e desafios futuros
A crise hídrica tem gerado preocupação e insatisfação entre os moradores, que enfrentam dificuldades para realizar atividades básicas do cotidiano. A situação evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes para o gerenciamento dos recursos hídricos e a implementação de ações preventivas para evitar que episódios como este se repitam.
Enquanto isso, a população precisa lidar com a escassez e o racionamento, adaptando-se às limitações impostas pela estiagem, que ainda não tem previsão para terminar.
Entenda melhor
Estiagem é um período prolongado de ausência ou redução significativa das chuvas, que afeta o abastecimento de água em regiões dependentes de fontes naturais. Em Barretos, a falta de chuva por cerca de 160 dias comprometeu os reservatórios e a distribuição, especialmente em bairros mais altos. O decreto de emergência permite à prefeitura adotar medidas excepcionais para enfrentar a crise, como a utilização de caminhões-pipa e o racionamento.



