Alunas dizem que ofensas teriam ocorrido após a faculdade implantar uso de banheiros conforme a identificação de gênero
Duas estudantes transexuais do último ano de medicina da USP de Ribeirão Preto denunciaram à polícia um caso de transfobia ocorrido no Hospital das Clínicas. O suspeito é um professor da própria instituição.
Comemoração e Ataque
As estudantes comemoravam a recente liberação do uso de banheiros de acordo com a identidade de gênero, com faixas e cartazes instalados próximos aos sanitários. Um dia depois, elas foram vítimas de ataques transfóbicos por parte de um professor e médico do curso.
Ofensas e Ameaças
Segundo Aloís Rodrigues e Silva, uma das estudantes, o professor a ofendeu no refeitório do hospital. Ao questioná-lo sobre qual banheiro ela deveria usar, ele teria respondido com comentários transfóbicos e ameaças de violência física, caso ela utilizasse o banheiro onde sua filha estivesse presente. Estela Branco, outra estudante, testemunhou a situação e decidiu levar o caso à Comissão de Direitos Humanos, denunciando o comportamento problemático do professor, que já teria atacado outras minorias em ocasiões anteriores.
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Investigação e Impacto
O professor denunciado, Gerson Gilihermiplan, nega as acusações, alegando que apenas perguntou como as estudantes preferiam ser tratadas e que uma delas teria agido de forma violenta contra ele. A reitoria da USP já foi notificada e investiga o caso. As estudantes registraram um boletim de ocorrência por ameaça e injúria racial, crimes que podem ser enquadrados, segundo o STF, como preconceito contra pessoas trans. Além das estudantes, duas testemunhas também devem prestar depoimento. O advogado das estudantes busca punição na esfera criminal, administrativa e civil, para garantir justiça e reparar os danos causados. Este caso demonstra a importância da luta contra a transfobia e a necessidade de espaços seguros e inclusivos para pessoas trans em todos os ambientes, especialmente em instituições de ensino e saúde. O fato de se tratar de duas estudantes prestes a se formar em medicina, em um país com altos índices de violência contra pessoas trans, torna o caso ainda mais simbólico.



