Psicóloga Elenice Bertanha Consoni conversou com a CBN Ribeirão
Um estudo recente conduzido pela psicóloga Elenice Bertanha Consoni, da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu e com tese de doutorado na USP de Ribeirão Preto, investigou os impactos da interrupção da gravidez de fetos com malformação na saúde mental das mães. Embora a legislação brasileira permita essa interrupção, a pesquisa aponta para a necessidade de atenção ao luto materno.
O Luto Complexo e a Necessidade de Acompanhamento
A principal constatação do estudo é que as mães enfrentam um luto complexo, decorrente da perda de um filho desejado e com o qual já existia um vínculo. Esse luto exige acompanhamento psicológico especializado para ser elaborado de forma saudável. A psicóloga ressalta a importância de informar a mãe sobre a inviabilidade de sobrevivência do bebê após o nascimento, garantindo que a decisão de interromper ou não a gravidez seja tomada de forma livre e consciente, preferencialmente em conjunto com o parceiro.
A Importância da Despedida
O estudo revelou que as mulheres que optam por não ver ou se despedir do bebê após o nascimento tendem a se arrepender, o que dificulta o processo de luto. Muitas mães evitam o contato visual com o bebê devido a receios relacionados à aparência causada por malformações visíveis, como anencefalia. No entanto, a pesquisa indica que o ato de se despedir do filho, mesmo em meio à dor, contribui para uma elaboração mais eficaz do luto.
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Diagnóstico Precoce e Vínculo Materno
O diagnóstico de malformações com características externas, como a anencefalia, pode ser realizado precocemente, por volta da 10ª ou 12ª semana de gestação. Contudo, a pesquisa aponta que o impacto do diagnóstico varia de acordo com o tempo de gestação e o vínculo estabelecido entre a mãe e o bebê. Em gestações mais avançadas, onde o vínculo é mais forte e há expectativas concretas, o choque da notícia tende a ser maior. No entanto, mesmo em gestações iniciais, a perda de um filho planejado e desejado pode gerar intenso sofrimento.
A pesquisa de Elenice Bertanha Consoni demonstra a complexidade do luto materno em casos de interrupção da gravidez por malformação fetal, reforçando a importância do apoio psicológico e da liberdade de escolha para as mulheres que enfrentam essa difícil situação.



