Exposição a essas toxinas de fungos pode ocasionar problemas de saúde; professor da FZEA da USP, explica resultados da pesquisa
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisaram amostras de farinha e arroz armazenadas em residências de Ribeirão Preto e identificaram altas quantidades de micotoxinas, Estudo aponta alta quantidade de micotoxinas, toxinas produzidas por fungos que podem causar diversos problemas de saúde, especialmente em crianças e adolescentes.
O estudo, coordenado pelo professor Carlos Augusto Fernandes de Oliveira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, foi realizado entre o final de 2022 e o final de 2023. As amostras foram coletadas em casas e apartamentos de pacientes atendidos no Centro de Saúde Vila Lobato, mantido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, unidade da USP.
Coleta e seleção das amostras
As amostras analisadas foram cedidas pelos voluntários, que incluíam crianças, pais e responsáveis de crianças de um ano até adolescentes, todos regularmente atendidos no centro de saúde. Os alimentos estavam armazenados nas residências, com períodos de armazenamento que podiam chegar a um ou dois meses.
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Micotoxinas e seus riscos: As micotoxinas são substâncias químicas produzidas por fungos oportunistas que se desenvolvem silenciosamente em alimentos, muitas vezes sem sinais visíveis de contaminação. Essas toxinas são estáveis a processos térmicos convencionais, como o cozimento, e podem permanecer ativas mesmo após o preparo dos alimentos.
O estudo identificou uma alta incidência de micotoxinas, com algumas amostras apresentando níveis superiores aos limites estabelecidos pela legislação brasileira, que está alinhada com padrões internacionais. As micotoxinas detectadas incluem fumonisinas, zearalenona e deoxinivalenol.
Armazenamento inadequado e fatores de risco: Os resultados indicam que o armazenamento inadequado dos alimentos nas residências, especialmente em ambientes com alta umidade e calor, pode favorecer o crescimento dos fungos e o aumento das micotoxinas. A presença de insetos como carunchos e ácaros também contribui para a contaminação e proliferação dos fungos toxigênicos.
Para evitar a contaminação, recomenda-se armazenar os alimentos em embalagens herméticas, vedar adequadamente os sacos originais e manter os produtos dentro do prazo de validade, em locais secos e arejados. Além disso, é importante realizar a rotatividade dos alimentos para evitar armazenamento prolongado.
Impactos na saúde: As micotoxinas podem causar sérios prejuízos à saúde humana. As aflatoxinas, por exemplo, são consideradas as substâncias naturais com maior potencial carcinogênico, especialmente relacionadas ao câncer hepático. Elas também reduzem a imunidade, principalmente em crianças, afetando a produção de anticorpos e células de defesa.
Outras micotoxinas, como as fumonisinas, estão associadas a câncer de esôfago e também podem afetar animais. A zearalenona possui efeito estrogênico, mimetizando hormônios, enquanto a deoxinivalenol atua como imunossupressora, prejudicando a resposta imunológica e a eficácia de vacinas.
Informações adicionais
O estudo reforça a importância do controle rigoroso na armazenagem de alimentos em residências para minimizar a exposição a micotoxinas, que representam um risco invisível e persistente à saúde pública, especialmente para populações vulneráveis como crianças e adolescentes.



