Fatores como desemprego, morte de entes queridos, términos de relacionamentos e outros contribuem com essa condição
Um estudo recente aponta que, nos próximos anos, cerca de 15,5% da população brasileira poderá apresentar quadro de depressão. O dado acende alertas sobre fatores sociais, econômicos e biológicos que aumentam a vulnerabilidade, além de reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamento adequado.
Impacto da pandemia e fatores sociais
A pesquisadora responsável pelo levantamento relaciona parte do aumento ao período pós-pandemia, quando perdas de emprego, agravamento das condições financeiras e estados de luto se intensificaram. Especialistas ouvidos destacam que o isolamento social imposto na pandemia, as mudanças na rotina escolar de crianças e jovens e a redução da busca por atendimento contribuíram para a ampliação do número de casos.
Vulnerabilidade feminina e influências biológicas
Entre os grupos mais suscetíveis, as mulheres aparecem em destaque. Segundo a psiquiatra Fernanda Faria, fatores hormonais — como níveis reduzidos de testosterona em alguns contextos — podem aumentar a exposição à doença. Além do componente biológico, a sobrecarga de responsabilidades domésticas e profissionais, histórico de violências na infância e eventos estressores da vida cotidiana elevam o risco entre pacientes do sexo feminino.
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Diagnóstico, tipos de depressão e sinais de alerta
A médica explica que a depressão não é única: há episódios de depressão maior, depressão pós-parto, depressão recorrente (mais de três episódios) e quadros ligados ao transtorno afetivo bipolar, entre outros. O diagnóstico exige anamnese detalhada e exames complementares quando indicado. Em consulta, exames de sangue são rotineiramente solicitados para investigar causas hormonais ou metabólicas que influenciam o quadro.
Quanto ao tratamento, pode incluir antidepressivos, estabilizadores de humor para casos bipolares e psicoterapia — combinados ou isolados, conforme avaliação clínica. Fernanda reforça que a busca por ajuda não deve ser evitada por preconceito: depressão é uma doença séria e tratável.
Os sinais que devem motivar atenção incluem anedonia (perda de interesse nas atividades), isolamento, choro fácil, tristeza persistente, crises de ansiedade com sintomas físicos (palpitações, sudorese, dor no peito) e pensamentos sobre a própria morte ou ideação suicida. Familiares e amigos são incentivados a observar mudanças comportamentais e convidar a pessoa a procurar auxílio profissional.
Especialistas pedem ampliação do acesso aos serviços de saúde mental, capacitação de profissionais para rastreamento precoce e campanhas de informação para reduzir o estigma. Procurar atendimento ao perceber sinais de sofrimento psicológico é um passo fundamental para evitar agravamento do quadro e promover a recuperação.



