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Estudo aponta que a infecção pela Chikungunya causa proteção contra outro vírus que causa dores nas articulações

Pesquisador da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão, Marcílio Fumagalli, explica como estão sendo feitos os testes
Chikungunya e proteção viral
Pesquisador da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão, Marcílio Fumagalli, explica como estão sendo feitos os testes

Pesquisador da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão, Marcílio Fumagalli, explica como estão sendo feitos os testes

Testes apontam que a infecção pelo vírus zika gera proteção contra o vírus Mayaro, causador de dores articulares. Um estudo com animais e amostras de sangue revelou uma proteção cruzada parcial, abrindo caminho para novas pesquisas sobre o tema.

Etapas do Estudo e Mecanismos de Proteção

O estudo envolveu experimentos com camundongos e amostras de indivíduos infectados por ambos os vírus. O zika, mais conhecido e disseminado pelo Aedes aegypti, serviu como base para comparação com o vírus Mayaro, encontrado em regiões florestais e transmitido por mosquitos diferentes. A infecção pelo zika induz a memória imunológica, produzindo células de defesa e anticorpos que reconhecem patógenos, incluindo aqueles diferentes do causador da infecção inicial. Essa resposta imunológica cruzada explica a proteção parcial observada contra o vírus Mayaro.

O Vírus Mayaro e sua Comparação com Outros Arbovírus

Embora o vírus Mayaro e o zika sejam evolutivamente próximos, diferem do vírus da dengue e do zika em alguns aspectos. Ao contrário do zika, que pode atravessar a placenta e causar microcefalia em bebês, o Mayaro e o zika causam doenças agudas, principalmente afetando as articulações. A infecção pelo zika, embora possa causar danos articulares, não é associada a altos índices de mortalidade, exceto em indivíduos com comorbidades. A mesma tendência pode ser observada para o Mayaro.

A pesquisa sugere que pessoas infectadas pelo vírus zika podem ter proteção parcial contra uma infecção secundária pelo vírus Mayaro. Apesar da incidência de zika ter diminuído significativamente após a epidemia de 2016, ainda há casos registrados no Brasil. A falta de diagnóstico público para o vírus Mayaro dificulta a contagem precisa de infecções, e alguns casos podem ser erroneamente atribuídos ao zika. A dengue continua sendo a arbovirose mais prevalente no país, seguida pelo zika e, em menor escala, pelo Mayaro.

A prevenção e o combate a esses vírus dependem de investimentos em educação, ciência e divulgação científica. Compreender os mecanismos de proteção cruzada entre esses arbovírus é crucial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e tratamento, melhorando a saúde pública e a qualidade de vida da população.

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