Apesar da queda nos atendimentos, a letalidade, impulsionada pela Covid-19, foi três vezes maior no período
Um estudo da Faculdade de Medicina da USP revelou que as medidas sanitárias adotadas durante a pandemia de Covid-19 contribuíram para uma redução significativa nas internações pediátricas por infecções respiratórias.
Redução de Internações e a Influência das Medidas Sanitárias
A pesquisa, que analisou dados do DataSUS de 2008 a março de 2021, comparou o número de internações esperadas com o número real de internações em 2020 e 2021. Os resultados mostraram uma queda drástica: em abril de 2020, por exemplo, eram esperadas mais de 200 internações diárias, mas apenas 37 ocorreram. Essa redução, segundo o Dr. Fábio Carmona, professor da USP e orientador do estudo, é atribuída às medidas sanitárias, como distanciamento social e uso de máscaras, que impactaram na transmissão de vírus causadores de infecções respiratórias em crianças. Embora a vacinação contra influenza e pneumococos e a melhora das condições sanitárias já contribuíssem para uma redução gradual ao longo dos anos, a queda observada em 2020 foi muito mais acentuada.
Letalidade: Um Aumento Paradoxal
Apesar da redução no número de internações, o estudo apontou um aumento na letalidade das infecções respiratórias em crianças. Em 2020, a letalidade dobrou em comparação com anos anteriores, e em 2021 quase triplicou. A análise revelou que a Covid-19 foi seis vezes mais letal em crianças internadas do que outras doenças respiratórias. Mesmo entre as crianças internadas por outras causas, a mortalidade foi 50% maior em 2020 e 2021 do que em anos anteriores. Isso indica que, embora menos numerosas, as internações em 2020 e 2021 foram mais graves.
Leia também
Perspectivas e Recomendações
O Dr. Carmona destaca a importância de manter algumas medidas sanitárias, mesmo após o controle da Covid-19, para evitar a disseminação de outras doenças respiratórias e reduzir a sobrecarga no sistema público de saúde. A pesquisa sugere que a mudança no período das férias escolares para o outono poderia contribuir para uma redução adicional nas internações. O estudo continuará analisando dados até o final de 2022 para avaliar o impacto do retorno às aulas presenciais e para melhor definir se a alteração nas férias escolares é uma medida viável.



