Competitividade das mulheres quando ascendem a estas posições também é maior; quem fala do estudo é Dimas Facioli
Metodologia e escopo do estudo
Um levantamento conduzido pela empresa francesa Performance, especializada em testes cognitivos e avaliações comportamentais, analisou dados de quase 7.700 profissionais para investigar diferenças de gênero na liderança. A amostra abrangeu diversos níveis hierárquicos — de gerentes de projeto a diretores — e foi processada pelo núcleo de pesquisa e desenvolvimento da empresa na França. Os indicadores utilizados derivam de questionários aplicados a gestores, com o objetivo de mapear preferências comportamentais, traços de personalidade e a relação com a carreira.
Descobertas principais: estereótipos em xeque
Contrariando ideias comuns sobre estilos de liderança, a pesquisa aponta que mulheres na amostra demonstraram níveis superiores de combatividade e assertividade em comparação aos homens. Esses traços se acentuam à medida que sobem na hierarquia: enquanto a combatividade masculina tende a diminuir em cargos de maior responsabilidade, a das mulheres cresce.
Outro achado relevante é a maior motivação feminina para pertencer a um grupo ou coletivo, ao passo que a capacidade de escuta e abertura mostrou-se equivalente entre os gêneros. Em termos de orientação de carreira, homens revelaram visão mais estratégica, buscando ambientes desafiadores para manter empregabilidade. As autoras do estudo sugerem que interrupções potenciais na trajetória profissional feminina, como a maternidade, podem explicar parte dessa diferença.
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O levantamento também confirma a persistente sub-representação feminina nos níveis mais altos da gestão: quanto maior o cargo, menor a presença de mulheres.
Interpretações e implicações para o mercado
Dimas Facioli, representante da Performance no Brasil, destaca que os resultados indicam uma adaptação das mulheres a exigências de ambientes majoritariamente masculinos. Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, mulheres podem adotar traços tradicionalmente associados a homens para serem percebidas de maneira equitativa ou ganhar visibilidade nas organizações, o que implica um esforço adicional para se inserirem e progredirem.
Para especialistas, os dados desafiam definições simplistas de liderança ligada ao gênero e apontam para a necessidade de repensar práticas de seleção, desenvolvimento e promoção. A presença mais forte de atributos como assertividade e autoconfiança entre mulheres líderes sugere que os critérios de avaliação e as expectativas organizacionais podem estar em transformação — ou exigindo que mulheres moldem seu comportamento segundo padrões estabelecidos.
O estudo amplia o debate sobre gênero e poder nas empresas, ressaltando que diferenças observadas nem sempre confirmam estereótipos tradicionais, mas podem refletir pressões institucionais e escolhas estratégicas individuais. A pesquisa serve como ponto de partida para políticas internas de inclusão e para reflexões sobre como ambientes de trabalho podem reconhecer e valorizar estilos diversos de liderança.