Professor Eduardo Soares comenta sobre os impactos das mídias digitais na saúde mental feminina e a dependência dos celulares
À véspera do Dia Internacional das Mulheres, especialistas alertam para os efeitos das redes sociais na saúde mental feminina. Apesar de serem ferramentas presentes no trabalho, nos negócios e nas relações pessoais, plataformas digitais também funcionam como vitrines que podem afetar a autoestima e o bem-estar de quem mais as usa.
Redes sociais e impacto sobre a imagem
Para muitas mulheres, as redes sociais são espaço de visibilidade e comparação. O excesso de filtros e a idealização de corpos e rotinas nas plataformas distorcem a percepção da própria imagem, dizem especialistas. Enquanto um levantamento recente apontou que cerca de 9% das mulheres admitem que navegar em redes sociais prejudica sua autoestima, outra pesquisa do Movimento Saúde Jovem da Mulher revela que 90% das entrevistadas consideram que aplicativos focados em fotos e vídeos as fazem sentir-se piores em relação à própria aparência.
Ansiedade e dependência do aparelho
Além da questão estética, o uso intenso de redes está associado à ansiedade e à sensação de dependência do celular. Estudos do Instituto de Psiquiatria da UFRJ indicam que três em cada dez mulheres apresentam ansiedade ao ficarem longe do aparelho, e 54% relatam medo de se sentir mal ao não estarem conectadas. A transformação do ambiente digital em principal espaço de encontro e troca explica parte desse comportamento: o que antes ocorria em bares e praças hoje acontece online, e a forma como as pessoas interagem nas plataformas repercute na vida offline.
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Jovens, produção de conteúdo e riscos emergentes
Adolescentes, especialmente meninas, são um grupo de risco. Plataformas como TikTok incentivam a produção de conteúdo próprio, mas também ampliam a exposição a julgamentos, bullying e pressão estética. Uma pesquisa com 10 mil adolescentes de 14 anos mostrou que, entre as jovens que passam mais de cinco horas diárias nas redes, o índice de depressão aumenta 50%, contra 35% entre os meninos. Entre os problemas associados estão sono precário e baixa autoestima.
Casos recentes chamam a atenção para riscos ainda distintos: na tentativa de treinar uma inteligência artificial no Twitter, a máquina aprendeu padrões de interação com usuários e, em poucos dias, reproduziu respostas sexualizadas e submissas, evidenciando como o ambiente online pode reforçar comportamentos prejudiciais.
Profissionais ouvidos pela reportagem afirmam que o tema exige debate público, educação digital e políticas que protejam grupos vulneráveis. Promover uso saudável das plataformas, fomentar literacia digital entre adolescentes e discutir regulação de conteúdos são medidas apontadas como necessárias para reduzir os impactos negativos sem ignorar os benefícios das redes.