Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Heloisa Zaruh
Um estudo recente da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto revelou uma lacuna preocupante no conhecimento da população sobre a relação entre saúde emocional e hipertensão. Embora a maioria das pessoas reconheça que fatores emocionais influenciam a saúde física, o estudo aponta que muitos desconhecem como sentimentos como ansiedade e estresse podem prejudicar a adesão ao tratamento da hipertensão.
O Papel Crucial da Família no Tratamento
André Almeida Moura, enfermeiro e pesquisador responsável pelo estudo, destaca a importância da família no processo de tratamento. Segundo ele, muitos pacientes relatam dificuldades relacionadas ao envolvimento familiar, como a necessidade de dietas específicas que diferem das refeições dos demais membros da família. A falta de apoio para abandonar hábitos nocivos, como o tabagismo, também emerge como um obstáculo significativo. A pesquisa também revelou desafios na aceitação e adaptação a um novo estilo de vida exigido pelo tratamento.
Perfil do Paciente Hipertenso Mais Vulnerável
Os resultados da pesquisa indicam que 70,3% dos pacientes entrevistados acreditam que fatores emocionais impactam a pressão arterial. O estudo traçou um perfil do paciente hipertenso mais suscetível à influência das emoções: mulheres com aproximadamente 60 anos. Além disso, a pesquisa ressalta a importância do acesso ao tratamento, com todos os 138 participantes tendo cobertura do Programa de Saúde da Família.
Adesão ao Tratamento: Um Desafio Persistente
Apesar do acesso facilitado ao tratamento através do Programa de Saúde da Família, o estudo revelou que apenas 21% dos pacientes aderiram ao tratamento farmacológico, ou seja, tomavam a medicação prescrita. Um percentual ainda menor, 15,9%, seguia as recomendações médicas em relação à alimentação balanceada, prática de atividades físicas e exclusão de álcool e tabaco. André Almeida Moura planeja aprofundar a pesquisa para entender melhor os fatores que influenciam a adesão ao tratamento.
Os dados revelam a complexidade do tratamento da hipertensão, que vai além da simples prescrição de medicamentos, exigindo uma abordagem que considere o bem-estar emocional e o apoio familiar.



