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Estudo aponta que mais de 61% dos profissionais que atuaram no combate à pandemia tiveram insônia

Voluntários de todo o país foram monitorados por três meses em 2020; 40% do total também relatou sintomas de depressão
Insônia profissionais saúde
Voluntários de todo o país foram monitorados por três meses em 2020; 40% do total também relatou sintomas de depressão

Voluntários de todo o país foram monitorados por três meses em 2020; 40% do total também relatou sintomas de depressão

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP revelou dados preocupantes sobre a saúde mental dos profissionais de saúde que atuaram na linha de frente durante a pandemia de Covid-19. A pesquisa, publicada na revista científica internacional Fronteiras em Psiquiatria, acompanhou mil voluntários de todo o país por três meses em 2020.

Números alarmantes de insônia, ansiedade e depressão

Os resultados apontaram que 61,5% dos profissionais relataram problemas de insônia, 43% sofreram de ansiedade, 40% apresentaram sintomas de depressão e 36% indicaram problemas de estresse pós-traumático. Esses índices são superiores aos registrados em pesquisas similares realizadas em outros países, como a China, e também em estudos pré-pandemia no Brasil.

Fatores contribuintes para a fragilidade emocional

A coordenadora do estudo, Flávia Osório, explica que a pandemia agravou uma fragilidade emocional preexistente entre os trabalhadores da saúde. A pesquisa associou a incidência de sintomas a preocupações como o medo de infecção, a vontade de deixar o emprego e a percepção de estigma social. A insatisfação com as medidas de proteção hospitalares também foi um fator relevante, com apenas 17% dos profissionais se dizendo satisfeitos.

Desigualdades e a necessidade de suporte psicológico

A pesquisa apontou que enfermeiros foram os mais afetados, com 64% relatando insônia, 50% ansiedade e quase metade apresentando sintomas depressivos. Flávia Osório destaca o papel de gênero e as condições de trabalho específicas da enfermagem. A idade e o local de trabalho também influenciaram, com profissionais mais jovens, sem apoio de colegas e em hospitais públicos, mais vulneráveis. A falta de recursos, salários mais baixos e condições precárias em hospitais públicos contribuíram negativamente para a saúde mental desses profissionais. O estudo ressalta a necessidade de melhorias no suporte psicológico oferecido pelos hospitais, uma demanda antiga e crucial para a saúde dos profissionais e a qualidade do atendimento prestado. A pesquisa continua monitorando os participantes para avaliar a persistência dos sintomas.

A pesquisa completa pode ser encontrada no G1 Ribeirão Preto.

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