Assimilação de português é 26% maior com os alunos que ficam mais tempos em aula; levantamento é da FEA-USP
Uma pesquisa do laboratório de estudos e pesquisas em economia social da USP de Ribeirão Preto aponta que o ensino em tempo integral aumenta em 35% o aprendizado em matemática e em 26% o desempenho em português entre alunos dos anos finais do ensino fundamental em escolas estaduais de São Paulo. O levantamento analisou o período inicial de implantação do modelo no estado, entre 2013 e 2019, antes da pandemia.
Resultados da pesquisa
O estudo encontrou efeitos substantivos e acima do esperado pelos pesquisadores. “É um efeito bastante grande”, afirmou o professor Luiz Guilherme Scorzafave, do Departamento de Economia, em entrevista sobre o trabalho. Segundo ele, os ganhos médios observados nas notas de língua portuguesa e matemática superaram as expectativas iniciais dos autores.
Metodologia e inovação
Uma das inovações centrais da pesquisa foi o acompanhamento aluno a aluno: os pesquisadores compararam a nota individual no SAResp ao final do 5º ano com a nota desse mesmo estudante ao final do 9º ano. Com isso, foi possível confrontar pares de alunos que iniciaram os anos finais com desempenho semelhante, mas cuja trajetória escolar divergiu — um permaneceu em escola de tempo parcial e outro frequentou escola de tempo integral. Essa comparação permitiu estimar, de forma mais precisa, quanto da diferença no resultado pode ser atribuída ao modelo de jornada integral e não a outros fatores.
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Implicações para políticas e desafios
Os autores alertam que o impacto positivo não decorre apenas do aumento do número de horas em sala: o modelo de educação integral estudado combina ensino mais prolongado com atividades complementares, como desenvolvimento de projeto de vida, momentos de tutoria e ações que favorecem a integração entre estudantes e professores. Esses componentes tornam a permanência na escola mais produtiva e menos repetição do mesmo cronograma de aulas.
Para viabilizar a expansão do ensino integral, o estudo aponta necessidades práticas: rever planos de carreira e a alocação de professores para reduzir o número de escolas em que cada docente leciona; adaptar a infraestrutura escolar; e investir na formação e no dimensionamento do quadro de profissionais para as novas funções demandadas pelo modelo.
O relatório detalhado já está sendo divulgado pelos pesquisadores e será encaminhado a órgãos responsáveis pela avaliação de políticas públicas. Os autores esperam que o levantamento contribua para debates sobre a ampliação da jornada escolar e os cuidados necessários para sua implementação bem-sucedida.



