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Estudo aponta que o professor é responsável por 60% dos resultados dos alunos na educação

Levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas com estudantes do Ensino Fundamental; ouça o 'CBN Emprego e Oportunidades'
Estudo aponta que o professor é
Levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas com estudantes do Ensino Fundamental; ouça o 'CBN Emprego e Oportunidades'

Levantamento foi feito pela Fundação Getúlio Vargas com estudantes do Ensino Fundamental; ouça o ‘CBN Emprego e Oportunidades’

Uma pesquisa da Fundação de Atolivaga conclui que o professor responde por quase 60% do desempenho dos estudantes na educação fundamental brasileira. O levantamento — feito em parceria com o Instituto Pelíncio — isolou 29 variáveis relacionadas à estrutura da escola, ao contexto familiar e às redes de ensino para medir, de forma mais precisa, o impacto do trabalho docente sobre a aprendizagem.

Pesquisa e metodologia

Os pesquisadores utilizaram resultados de avaliações nacionais como o SAEB e indicadores de distorção idade-série para comparar efeitos. No ensino fundamental, o impacto do professor foi estimado em 57,8%. Quando somadas às demais variáveis consideradas no estudo — como existência de biblioteca, quadro de esforço, energia elétrica e recursos do FUNDEB — a parcela explicada sobe para 65,69%.

Impactos e evidências internacionais

O estudo brasileiro converge com achados internacionais. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos, por exemplo, acompanharam 2,5 milhões de crianças ao longo de 20 anos e verificaram que alunos de bons professores têm maior probabilidade de ingressar no ensino superior, escolher faculdades de melhor qualidade, obter salários maiores e acumular mais poupança para a aposentadoria. Os melhores docentes tendem a gerar efeitos ainda mais relevantes entre estudantes de origem socioeconômica mais baixa.

Desafios para formação e valorização

Pesquisadores ouvidos no debate — incluindo integrantes do Instituto Pelíncio e da Fundação Getúlio Vargas — afirmam que a qualidade do professor virou foco central nas reformas educacionais. Sem estratégias que preparem e acompanhem o docente, reformas de currículo, introdução de tecnologia ou ampliação do tempo integral têm eficácia limitada. A pesquisa destaca a necessidade de melhorar a formação inicial e continuada e de implementar avaliações de desempenho que identifiquem necessidades de desenvolvimento.

Entre os entraves apontados estão a oferta de cursos de formação a distância de baixa qualidade, a resistência a processos de avaliação em carreira e a remuneração insuficiente, especialmente na rede pública. Foram citados modelos de países como Chile e Japão, que avaliam os candidatos antes da entrada na profissão e acompanham o desempenho em sala de aula ao longo da carreira, como exemplos capazes de elevar a qualificação docente.

O debate também chama atenção para a estrutura de carreira: planos que considerem progressão por mérito e formação contínua, e não apenas tempo de serviço, são vistos como instrumentos para reter e desenvolver melhores professores. Há exceções regionais no Brasil — como apontado em relação ao Estado de São Paulo —, mas, de modo geral, a pesquisa reforça que políticas de valorização e avaliação são centrais para melhorar os resultados educacionais.

O estudo reafirma que, para melhorar o aprendizado dos alunos, é preciso investir tanto nas condições materiais da escola quanto — e principalmente — na preparação, no acompanhamento e na remuneração dos professores.

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