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Estudo aponta que velhice começa mais tarde e desafia conceito de idoso aos 60 anos

Pesquisa internacional indica mudanças biológicas aos 78 anos e especialistas defendem que funcionalidade pesa mais que idade cronológica
estudo
photobac de Getty Images Pro/Canva

A definição do que é ser idoso pode estar passando por uma transformação. Um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, aponta que o envelhecimento biológico mais intenso ocorre apenas por volta dos 78 anos, colocando em xeque a convenção adotada no Brasil, que considera idosa a pessoa a partir dos 60.

O tema foi debatido no Manhã CBN, em entrevista com o médico geriatra e especialista em cuidados paliativos André Junqueira, que destacou que envelhecer vai além da idade registrada no documento e envolve fatores biológicos, sociais, psicológicos e funcionais.

Envelhecimento

De acordo com o estudo citado na entrevista, análises do sangue de milhares de pessoas identificaram três momentos-chave de aceleração do envelhecimento biológico: aos 34, 60 e 78 anos. A fase final, segundo os pesquisadores, marcaria de forma mais evidente a entrada na velhice.

Para o André Junqueira, os dados científicos ajudam a ampliar o debate, mas não devem ser interpretados de forma isolada. Ele explica que, na prática clínica, o envelhecimento é um processo dinâmico e individual, que não pode ser resumido apenas à biologia.

Hoje, uma pessoa de 60 anos apresenta condições físicas e cognitivas muito diferentes das gerações anteriores. O médico ressalta que, atualmente, não é incomum encontrar pessoas com 70 ou até 80 anos em plena atividade profissional, social e intelectual, ocupando cargos de liderança e mantendo autonomia.

Funcionalidade

Na geriatria, o principal marcador do envelhecimento não é a idade, mas a perda de funcionalidade. Segundo o especialista, sinais como dificuldade para realizar atividades do dia a dia, risco de quedas, perda de autonomia fora de casa ou limitações cognitivas são mais relevantes do que o número de anos vividos.

A avaliação funcional considera aspectos físicos, mentais e sociais, como a capacidade de dirigir, administrar a própria rotina, manter vínculos sociais e participar de atividades coletivas. Esses indicadores, segundo o médico, são mais eficazes para definir quando uma pessoa passa a necessitar de cuidados adicionais.

O estudo internacional citado na entrevista utiliza marcadores epigenéticos, ainda indisponíveis na prática clínica. Enquanto isso, a observação do grau de independência segue sendo a principal ferramenta para identificar um envelhecimento que exige atenção ou intervenções preventivas.

Desigualdade

Outro ponto destacado na conversa foi o impacto das desigualdades sociais no processo de envelhecimento. Estudos realizados na cidade de São Paulo mostram que a expectativa de vida pode variar em até 20 anos entre bairros com poucos quilômetros de distância, dependendo das condições socioeconômicas.

Essas diferenças reforçam que o envelhecimento não é apenas uma questão biológica, mas também resultado do acesso à saúde, educação, alimentação, lazer e segurança. Para o especialista, discutir idade mínima para definir quem é idoso exige considerar esse contexto social mais amplo.

Em países como a Itália, por exemplo, a idade oficial para caracterizar a velhice já foi elevada para 70 anos. No Brasil, o tema pode voltar ao debate nos próximos anos, especialmente diante do envelhecimento acelerado da população.

Qualidade de vida

O Brasil deve ter, a partir de 2030, mais idosos do que crianças, segundo projeções demográficas. Para André Junqueira, esse cenário exige políticas públicas e mudanças culturais que estimulem a autonomia e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

O médico defende o conceito de “poupanças” ao longo da vida: física, cognitiva e social. A recomendação inclui a prática regular de exercícios, estímulos mentais como leitura e aprendizado de novas atividades, além do fortalecimento das relações sociais e participação em grupos.

Manter acompanhamento médico regular, realizar exames preventivos e cuidar da saúde mental também são apontados como pilares para um envelhecimento saudável, independentemente da idade cronológica.

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