A Associação Comercial de Ribeirão Preto divulgou um novo estudo sobre o cenário econômico do município, com foco especial no mercado imobiliário e nos efeitos das apostas online sobre o consumo das famílias. O levantamento foi apresentado na sede da entidade e deve ser disponibilizado ao empresariado, ao poder público e à população até o fim do primeiro semestre.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o economista Nelson Rocha Augusto explicou que o objetivo é oferecer um retrato detalhado da dinâmica econômica da cidade, identificando regiões que ganharam ou perderam valor ao longo do tempo e auxiliando na formulação de políticas públicas e decisões de investimento.
Imobiliário
O estudo, desenvolvido pelo Instituto Maurílio Biagi, mapeia todos os tipos de imóveis da mancha urbana de Ribeirão Preto, incluindo residenciais, comerciais e industriais. A análise considera localização, infraestrutura do entorno, equipamentos públicos e privados e compara o valor técnico utilizado no IPTU com o valor praticado pelo mercado.
“A gente está mapeando toda a dinâmica e o valor dos imóveis que estão na mancha urbana de Ribeirão Preto.”
Segundo Nelson Rocha Augusto, o levantamento permite entender por que determinados bairros se valorizaram enquanto outros perderam valor, trazendo informações relevantes tanto para famílias quanto para empresários e gestores públicos.
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“O imóvel é sempre o principal patrimônio que cada uma das famílias tem.”
Planejamento
Além de orientar proprietários de imóveis, o estudo também pode ser usado como ferramenta estratégica para empresários que pretendem abrir novos negócios ou realizar investimentos na cidade. A proposta é mostrar onde a dinâmica econômica está mais aquecida e quais regiões apresentam maior potencial de valorização.
O economista destacou ainda que os dados devem evidenciar a defasagem entre os valores de mercado e os utilizados pelo poder público para o cálculo do IPTU, estimulando um debate mais amplo sobre a realidade econômica imobiliária do município.
“O objetivo é literalmente enxergar a realidade econômica da parte imobiliária da nossa cidade.”
Apostas
Durante a apresentação, também foram abordados os impactos das apostas online, as chamadas bets, no consumo das famílias. Segundo Nelson Rocha Augusto, um estudo paralelo já estima que os gastos com apostas em 2026 possam ultrapassar R$ 30 bilhões, podendo chegar a R$ 60 bilhões em todo o país.
“O gasto das famílias com bets nesse ano vai ultrapassar largamente a barreira de 30, 40 bilhões de reais.”
De acordo com o economista, esse volume de recursos tende a prejudicar o comércio, o crédito e aumentar a inadimplência, especialmente entre famílias de menor renda. Ele alertou ainda para os riscos sociais do crescimento desse tipo de prática.
“A chance de ganho é quase inexistente. Isso é um mal para a sociedade.”



