Pesquisador e professor da Medicina USP, Dario Zamboni, fala sobre a niclosamida e traz detalhes do levantamento
Um estudo realizado na USP de Ribeirão Preto revelou que a niclosamida, medicamento comumente usado como vermífugo, possui potencial para reduzir inflamações graves causadas pela Covid-19. Embora necessite de mais pesquisas, a descoberta representa um avanço significativo no tratamento da doença.
Descoberta e Desenvolvimento da Pesquisa
A pesquisa teve início em 2020, logo no começo da pandemia, com a formação de uma força-tarefa na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pesquisadores identificaram proteínas do sistema imunológico que desencadeiam inflamações graves em pacientes com Covid-19, levando-os a óbitos. Um estudo publicado em 2020 já havia apontado a desregulação dessas proteínas na doença.
Testes com a Niclosamida
A segunda etapa da pesquisa, publicada em setembro de 2023, focou na identificação de medicamentos já aprovados para uso humano que pudessem inibir essas inflamações. Entre 2560 compostos analisados, a niclosamida se destacou por sua segurança e eficácia em testes com células e camundongos infectados com o Sars-CoV-2. Os resultados mostraram redução na ativação das proteínas inflamatórias em células sanguíneas de pacientes com Covid-19.
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Próximos Passos e Considerações Finais
Apesar dos resultados promissores, a pesquisa precisa avançar. A niclosamida, atualmente administrada por via oral, apresenta baixa absorção pelo estômago, sendo ineficaz para tratar a Covid-19, que afeta principalmente os pulmões. Testes clínicos adicionais são necessários para avaliar a eficácia da niclosamida por outras vias de administração, como inalação. É crucial ressaltar que a automedicação com niclosamida para tratar a Covid-19 é desaconselhada, e a utilização do medicamento somente deve ocorrer após aprovação em testes clínicos rigorosos.



