A pesquisa usou como base os números atuais da doença, adesão à quarentena e histórico de propagação
Mais de 4 mil mortes podem ocorrer em Ribeirão Preto nos próximos dois meses devido à COVID-19, segundo projeção da USP
Cenários preocupantes: isolamento social e número de leitos
Uma pesquisa realizada por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, com o auxílio de uma calculadora desenvolvida pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), aponta um cenário preocupante para a cidade. Com base em dados atuais da doença, adesão à quarentena e histórico de propagação, o estudo prevê um aumento drástico no número de mortes caso o índice de isolamento social não seja elevado. Se mantido abaixo de 50%, estima-se um acréscimo de 364 mortes nas próximas 10 semanas. Uma queda para 27% elevaria esse número para 4.295 óbitos no mesmo período, demandando mais de 1.420 leitos hospitalares extras.
O professor da USP, Domingos Salves, destaca que, apesar de as projeções não serem perfeitas, elas indicam a importância de se considerar as estimativas. Ele ressalta que, mesmo com possíveis erros nos valores absolutos, as proporções da mudança de cenário permanecem consistentes na calculadora. A situação se agrava ainda mais considerando que Ribeirão Preto recebe pacientes de municípios vizinhos, o que reduziria ainda mais a disponibilidade de leitos.
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Alternativa para reverter o quadro: distanciamento social
De acordo com a pesquisa, a única alternativa para reverter esse cenário catastrófico é aumentar a taxa de distanciamento social para 60%. Com essa medida, o número de mortes em dois meses cairia para 36, segundo os cálculos da calculadora, e os leitos disponíveis seriam suficientes. O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, Mascovas, avalia que os casos estão aumentando e que a pandemia deve se estender até outubro.
Prevenção e conscientização: a chave para o controle da doença
Para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o estudo serve como alerta para a necessidade de reforçar as medidas de contingência, principalmente o isolamento social e a higiene das mãos. O infectologista Fernando Belíssimo enfatiza a importância desses cuidados, mesmo com a repetição da mensagem. Ele ressalta que, sem ações efetivas, a doença crescerá exponencialmente. Por outro lado, a conscientização da população e o rigor nas medidas de higiene podem controlar a doença e evitar o cenário projetado.



