Excesso do carboidrato no organismo gera o agravamento da doença; professor da Medicina USP, Luiz Leiria, explica o levantamento
Após mais de três anos da pandemia de Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim da emergência de saúde global. O período deixou um rastro de perdas econômicas, milhões de mortos e contaminados, além de inúmeras pesquisas científicas para compreender o comportamento do vírus e seus impactos.
A Covid-19 e o Fígado: Uma Nova Perspectiva
Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto publicaram um estudo recente que revela um novo aspecto da doença: o ataque do vírus ao fígado, estimulando a produção de glicose e agravando o quadro clínico. O professor Luiz Osório Silveira Leiria, do Departamento de Farmacologia da USP, explica que a infecção induz um estado semelhante ao da diabetes, principalmente durante a internação.
Impacto da Hiperglicemia e o Papel do Fígado
O estudo, realizado com quase mil pacientes, demonstrou que o vírus da Covid-19 induz a hiperglicemia diretamente, independente do histórico prévio de diabetes. Pacientes sem histórico da doença apresentaram picos de hiperglicemia mais frequentes após a infecção, enquanto aqueles com diabetes tiveram um agravamento do quadro. Experimentos em laboratório com células do fígado (hepatócitos) confirmaram que o vírus infecta essas células, utiliza sua maquinaria para se replicar e aumenta a produção de glicose. Esse achado sugere que a hiperglicemia observada em pacientes com Covid-19 está diretamente ligada a esse efeito no fígado.
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Tratamentos e Perspectivas Futuras
Embora o estudo não aborde as consequências a longo prazo, há evidências de que pacientes com formas graves de Covid-19 são mais propensos a desenvolver diabetes tipo 2 posteriormente. O professor Leiria destaca a metformina como uma possível ferramenta terapêutica, pois inibe a produção de glicose no fígado e pode oferecer proteção contra formas graves da doença. Novas pesquisas são necessárias para aprofundar o entendimento da interação entre o vírus, o fígado e a hiperglicemia, buscando melhores tratamentos e prevenindo sequelas da Covid-19.



