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Estudo da USP mostra que prática de ‘mindfulness’ pode ajudar pessoas que sofrem de DTM

Estudo da USP mostra que prática de 'mindfulness' pode ajudar pessoas que sofrem de DTM
mindfulness para DTM
Estudo da USP mostra que prática de 'mindfulness' pode ajudar pessoas que sofrem de DTM

Estudo da USP mostra que prática de ‘mindfulness’ pode ajudar pessoas que sofrem de DTM

Conviver diariamente com a dor crônica é uma realidade que afeta profundamente a vida de muitas pessoas, impactando não apenas o corpo, mas também a mente e as emoções. Milhares de indivíduos sofrem com a disfunção temporomandibular (DTM), uma condição que afeta a articulação responsável por abrir e fechar a boca, além dos músculos da mastigação.

Para essas pessoas, dores constantes na mandíbula, nas têmporas, no rosto, dificuldade para mastigar e até mesmo dores de cabeça podem se tornar parte da rotina, afetando a saúde mental. No entanto, um estudo recente realizado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) revelou que a prática regular de mindfulness, uma técnica de meditação focada na atenção plena, pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a regulação emocional nesses pacientes.

O que é a Disfunção Temporomandibular (DTM)?

A DTM é uma condição clínica que afeta a articulação que liga a têmpora à mandíbula, responsável pelos movimentos da boca. É mais comum em mulheres e provoca inflamação nessa articulação, prejudicando a mobilidade e causando dor. Essa dor e inflamação podem se tornar crônicas, dependendo do prognóstico e das formas de manejo da condição. Além das dores diretamente ligadas à cabeça, a pessoa pode desenvolver maior sensibilidade à dor em outras regiões do corpo.

A DTM pode se espalhar e trazer desconforto para outras partes do corpo, prejudicando o sono e alterando o humor. A dor constante pode causar estresse, alterando fisiologicamente o corpo e afetando a produção de biomarcadores relacionados ao sono, comprometendo a saúde mental.

Como a Meditação Mindfulness Pode Ajudar?

A meditação mindfulness é um exercício cognitivo e comportamental que pode trazer diversos benefícios. Ela atua reduzindo o estresse, permitindo observar a situação com um certo distanciamento. Em vez de focar apenas na dor, a meditação traz uma perspectiva de olhar as coisas em perspectiva, desfocando da experiência de dor e trazendo outras vivências para a consciência.

Isso diminui a ruminação e os pensamentos catastróficos relacionados à dor, além de reduzir os marcadores de estresse, como o cortisol. Ao praticar a meditação, as pessoas começam a se libertar do estresse desencadeado pela dor.

Autocuidado e Autoconhecimento

A meditação mindfulness constrói um autocuidado, com um elemento importante: o autoconhecimento. A pessoa começa a ter mais controle sobre suas situações, evitando comportamentos automáticos quando há sensibilização central no cérebro. Através de um programa de oito semanas, é possível desenvolver autocompaixão a partir do autoconhecimento, reconhecendo os gatilhos da dor e os comportamentos inadequados que podem intensificá-la.

A meditação ajuda a conviver com a dor, eliminando sofrimentos adicionais causados pela inabilidade de lidar com essa experiência. O estudo realizado selecionou mulheres com DTM crônica e as submeteu a um programa de mindfulness, avaliando os resultados através de instrumentos psicométricos, avaliações clínicas e coleta de material biológico para análise de marcadores de estresse e neuroplasticidade.

O programa de mindfulness incluiu práticas variadas, com diferentes posturas e durações, incentivando a prática no dia a dia, como durante as refeições ou ao escovar os dentes. Ao final do programa, foram observadas melhorias nos participantes.

A prática de mindfulness já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017, dentro da política nacional de práticas integrativas e complementares. No entanto, é fundamental que o profissional que oferece essa prática seja capacitado, pois uma orientação inadequada pode trazer gatilhos e não ser segura para os pacientes.

Os resultados indicam que a meditação mindfulness pode ser uma ferramenta valiosa para amenizar o dia a dia de pessoas que sofrem com dor crônica, proporcionando uma melhor qualidade de vida e bem-estar emocional.

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