Testes feitos em três mil pessoas indicaram déficit na memória e atenção; pesquisador Vitor Engracia Valenti explica os dados
O professor e pesquisador da Unesp, Vítor Ingrácia Valente, concedeu entrevista ao Giro CBN para discutir um estudo realizado em Londres com 3 mil pessoas que tiveram COVID-19. A pesquisa, conduzida pela King’s College University, analisou os efeitos do vírus na memória, atenção, raciocínio e controle motor dos participantes.
Metodologia e Resultados
O estudo utilizou testes cognitivos para avaliar os participantes, dividindo-os em grupos com base em seus escores. A pesquisa utilizou o teste PCR para confirmar os casos de COVID-19. Os resultados indicaram que indivíduos com sintomas persistentes por pelo menos 12 semanas apresentaram prejuízos cognitivos que persistiram por até dois anos após a infecção. Esse comprometimento cognitivo foi comparável ao declínio observado em uma década de envelhecimento natural.
Implicações e Considerações
O professor Valente destaca a importância de exames de sangue e avaliações cognitivas para pessoas que tiveram COVID-19, especialmente aquelas com sintomas prolongados. Ele explica que o vírus, ao entrar na cavidade nasal, pode estressar os neurônios, causando impactos a longo prazo. O estudo ressalta que nem todos os indivíduos infectados apresentarão esses sintomas; o comprometimento cognitivo significativo foi observado principalmente em pacientes com sintomas persistentes por 12 semanas ou mais.
Embora existam estudos brasileiros sobre os sintomas pós-COVID, o estudo de Londres se destaca por sua metodologia robusta, que incluiu a análise de diferentes durações da infecção pelo vírus. Isso permitiu uma avaliação mais precisa dos impactos a longo prazo da COVID-19 na função cognitiva, fornecendo uma maior confiabilidade nos resultados. A pesquisa também destaca a necessidade de atenção a outros sintomas pós-COVID, incluindo aqueles relacionados ao sistema cardiovascular e respiratório.


