Procedimento terapêutico usa células CAR-T do próprio paciente e já mostrou bons resultados; Rodrigo Calado explica a iniciativa
Um estudo inovador realizado em Ribeirão Preto, em parceria com a Fundação Butantã, mostra resultados promissores no combate à leucemia e ao linfoma utilizando a terapia CAR-T. Com um investimento de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde, a pesquisa entra em uma nova fase, expandindo o número de pacientes participantes.
O que é a terapia CAR-T?
A terapia CAR-T consiste na coleta de células do sistema imunológico (linfócitos T) do paciente. Em laboratório, essas células são geneticamente modificadas para reconhecer e atacar as células cancerígenas da leucemia ou linfoma. Após a reprogramação, as células são reintroduzidas na circulação sanguínea do paciente, combatendo o câncer de forma direcionada.
A nova fase do estudo
Esta nova fase do estudo clínico, aprovada pela Anvisa, selecionará 81 pacientes com leucemia linfoblástica aguda B e linfomas B que não responderam bem aos tratamentos convencionais. O objetivo é obter o registro na Anvisa para disponibilizar o tratamento pelo SUS. Resultados anteriores, com 20 pacientes tratados em caráter compassivo, mostraram taxas de remissão significativas, mesmo em casos avançados da doença. O processo de modificação celular leva cerca de duas a três semanas, período em que o paciente pode receber uma terapia ponte para controlar a doença.
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Próximos passos e expansão da pesquisa
A expectativa é que, após o tratamento e acompanhamento dos 81 pacientes, os dados sejam apresentados à Anvisa para aprovação do tratamento. O sucesso desta fase poderá inspirar estudos semelhantes em outros tipos de câncer, com pesquisas já em andamento em outros centros no Brasil e na América do Sul. A terapia CAR-T, embora promissora, está atualmente focada em leucemias e linfomas, com pesquisas em andamento para expandir seu uso em outros tipos de câncer. A participação no estudo requer avaliação médica prévia, sendo necessário o contato com um hematologista para verificar a elegibilidade do paciente.



