Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
Queimadas, além de devastarem ecossistemas, podem estar impactando o regime de chuvas. Uma pesquisa recente da Unesp (Universidade Estadual Paulista) aponta que a fuligem liberada pelas queimadas dificulta a formação de nuvens de chuva, agravando ainda mais os períodos de seca.
O Estudo da Unesp e a Química das Partículas
A pesquisadora Michelle Souza, do Instituto de Química da Unesp, liderou um estudo de 12 meses focado na composição química das partículas liberadas pelas queimadas e sua relação com as propriedades das nuvens. A pesquisa buscou estabelecer uma conexão entre a composição dessas partículas e o impacto das queimadas na região, especificamente em relação à formação de chuva.
Fuligem e Partículas Invisíveis: Um Perigo Duplo
É importante distinguir entre a fuligem visível e as partículas menores, muitas vezes invisíveis a olho nu. Enquanto a fuligem permanece por um curto período na atmosfera devido ao seu tamanho, as partículas menores podem persistir por mais tempo, a menos que sejam removidas por vento ou chuva. O aumento do número de queimadas eleva a concentração dessas partículas, que podem entrar no sistema respiratório, representando um risco à saúde.
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O Impacto das Queimadas no Clima
A alta concentração de partículas na atmosfera intensifica a competição pelo vapor de água. Em um ambiente com baixa umidade, essa disputa se torna ainda maior, resultando em gotículas muito pequenas que não conseguem crescer o suficiente para formar chuva. Em contrapartida, em uma atmosfera mais limpa, as gotículas crescem de forma mais eficiente, facilitando a ocorrência de precipitação. A baixa umidade agrava o problema, pois dificulta o crescimento das gotículas, e o aumento das queimadas reduz ainda mais a umidade relativa do ar.
Os resultados da pesquisa servem como um alerta sobre os impactos das queimadas, especialmente em um período já marcado pela estiagem, reforçando a necessidade de conscientização e prevenção.



