Entre essas pessoas, 30% apresentam sintomas graves, que podem até mesmo ‘acelerar’ o envelhecimento; dermatologista explica
Estudos indicam que cerca de 70% da população brasileira sofre de algum nível de estresse, Estudos indicam que 70% da população brasileira sofre algum nível de estresse, sendo que 30% desses indivíduos apresentam sintomas graves, conforme dados da Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse. Essas pressões diárias afetam não apenas o estado emocional, mas também podem se manifestar fisicamente, especialmente na pele e nos cabelos, podendo desencadear doenças.
Para esclarecer esses impactos, a dermatologista Dra. Anatácia Pisani explicou em entrevista à Rádio CBN como o estresse pode influenciar a saúde dermatológica e capilar. Segundo a médica, é fundamental analisar a história clínica do paciente para identificar se os sintomas estão relacionados ao estresse ou a outras causas orgânicas.
“A gente deve sempre buscar causas orgânicas para o diagnóstico antes de atribuir exclusivamente ao estresse, porque senão ninguém faz diagnóstico de mais nada. Temos doenças com mecanismos fisiopatológicos conhecidos e devemos atuar nesses fatores. O estresse pode potencializar tudo isso, mas não isenta o diagnóstico correto”, afirmou Dra. Pisani.
Do ponto de vista biológico, o estresse interfere no eixo hormonal, especialmente no hormônio cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Esse hormônio afeta a barreira cutânea, alterando a produção de lipídios que protegem a pele. Como consequência, podem surgir ou agravar condições como dermatites, psoríase, dermatite atópica, acne e dermatite seborreica. Além disso, o estresse influencia o processo de envelhecimento da pele ao interferir na produção de colágeno.
Impactos do estresse na pele: Dra. Pisani destacou que o estresse pode ser um gatilho para o aparecimento ou agravamento de lesões cutâneas, mas sempre deve ser investigada a presença de causas orgânicas para um diagnóstico preciso. Um ouvinte relatou o caso da esposa que desenvolve bolhas na pele acompanhadas de coceira em momentos de estresse intenso. A médica confirmou que isso pode ocorrer, mas ressaltou a importância de descartar outras causas antes de associar diretamente ao estresse.
Efeitos do estresse nos cabelos
Os cabelos também são afetados pelo estresse, que pode alterar o ciclo folicular e provocar quadros como o eflúvio telógeno agudo, caracterizado por queda abrupta e significativa dos fios. Além disso, doenças inflamatórias, como a alopecia areata, podem ser desencadeadas ou agravadas pelo estresse.
Outra condição mencionada foi a tricodínia, que consiste em dor no couro cabeludo sem que o cabelo esteja preso. Essa dor pode ter diversas causas, inclusive idiopáticas, e deve ser avaliada por meio de exames específicos, como a tricoscopia, para excluir outras doenças inflamatórias.
Diagnóstico e tratamento: Dra. Pisani enfatizou que o primeiro passo para quem apresenta sintomas relacionados ao estresse na pele ou nos cabelos é procurar um dermatologista para avaliação detalhada. Após o diagnóstico, se o estresse for identificado como um fator relevante, o tratamento pode incluir terapia para controle do estresse, além das intervenções dermatológicas específicas.
“Primeiro de tudo, procurar um dermatologista. Tendo indícios de que o estresse está sendo um agente causador importante, certamente será direcionado também para terapia”, explicou a médica.
Entenda melhor
- O cortisol, hormônio do estresse, interfere na barreira protetora da pele e na produção de colágeno, acelerando o envelhecimento cutâneo.
- Doenças dermatológicas como psoríase, dermatite atópica, acne e dermatite seborreica podem ser agravadas pelo estresse.
- O estresse pode causar queda abrupta de cabelo (eflúvio telógeno agudo) e desencadear alopecia areata.
- A tricodínia é uma dor no couro cabeludo que pode estar relacionada ao estresse, mas requer avaliação médica para diagnóstico.



