Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Réger Sena
A safra 2015/2016 do setor sucroalcooleiro se desenha com uma forte inclinação para a produção de etanol, impulsionada por mudanças regulatórias e dinâmicas de mercado favoráveis. O cenário é influenciado pelo aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina e pelas perspectivas de redução nas exportações de açúcar.
Cenário Favorável ao Etanol
O aumento da mistura de etanol na gasolina, de 25% para 27,5%, sinaliza uma demanda interna crescente. Adicionalmente, a valorização do dólar frente ao real, embora inicialmente favorável às exportações de açúcar, não se traduziu em ganhos significativos devido à queda nos preços internacionais do açúcar. Antônio Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), destaca que esses fatores combinados apontam para uma safra mais focada na produção de etanol em 2015, em comparação com 2014.
Desafios Financeiros Persistem
Apesar das perspectivas positivas, o setor ainda enfrenta desafios financeiros. Muitas usinas lutam para financiar suas operações e manter estoques. Medidas políticas e tributárias podem aliviar essa pressão, mas a capacidade das empresas de aproveitar as oportunidades de mercado é limitada por sua saúde financeira. Como aponta Rodrigues, a falta de capacidade de estocagem e de acesso a financiamentos pode impedir que as empresas capturem o potencial de preço do etanol.
Impacto no Consumidor a Longo Prazo
O economista Jair Kaskiel Jr. pondera que os benefícios iniciais das medidas de incentivo ao setor sucroalcooleiro tendem a favorecer os produtores, mas que a transferência desses benefícios para o consumidor depende de diversos fatores, como a produtividade da safra, influenciada pelo regime de chuvas e pela logística de produção. Portanto, é necessário aguardar para avaliar se a melhora na rentabilidade do setor se refletirá em preços mais competitivos para o consumidor final.
Embora a UNICA ainda não tenha divulgado projeções oficiais para a safra 2015/2016, o cenário atual sugere um período de adaptação e foco na produção de etanol, com potenciais impactos em toda a cadeia produtiva e no mercado consumidor.



