A investigação sobre um suposto esquema de rachadinha no gabinete do vereador Lincoln Fernandes avançou com o depoimento de ex-assessores à Polícia Civil, em Ribeirão Preto. Segundo relatos, os funcionários teriam sido obrigados a devolver parte dos salários ao parlamentar durante o período em que atuaram no gabinete.
As denúncias vieram à tona após o Ministério Público de São Paulo protocolar um pedido de investigação na Câmara Municipal. Além dos depoimentos presenciais, outros denunciantes devem ser ouvidos por videoconferência, enquanto o caso segue sob sigilo.
Depoimentos
Os ex-assessores Marcos Fabiano dos Santos, conhecido como Bin, e Ana Paula Vicentim prestaram depoimento na Delegacia Seccional. Ambos afirmaram que havia a exigência de repasse de parte dos vencimentos ao vereador, prática que, segundo Bin, teria começado ainda em 2017.
Em entrevista à CBN, Bin relatou que o acordo inicial previa a devolução de valores por seis meses, sob a justificativa de pagamento de dívidas de campanha. Segundo ele, a prática continuou depois desse período e voltou a ocorrer entre 2019 e 2020, quando retornou ao gabinete, mesmo recebendo salário maior.
“Começou em 2017, quando nós ganhamos a eleição para vereador. E, a partir daquele momento, o vereador [Lincoln] reuniu todos aqueles que foram escolhidos para ser da sua assessoria e disse que, naquele momento, as dívidas da campanha estavam muito altas. Ele tinha contraído muita dívida e precisava honrar esses compromissos. Então, reuniu a gente e fez a seguinte proposta. Eu vou precisar que vocês devolvam parte do salário para que eu possa terminar de pagar esses compromissos que eu tinha feito antes. Esse compromisso vai durar por seis meses. Aí, todo mundo aceitou”, relatou o Marcos Frabiano.
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De acordo com os relatos, há ainda suspeitas de que assessores tenham feito empréstimos consignados para repassar valores ao parlamentar. O ex-assessor também afirma ter apresentado documentos e comprovantes bancários que indicariam transferências de dinheiro ao vereador.
A reportagem teve acesso a comprovantes de saques e depósitos relacionados às contas mencionadas. Bin também citou um contrato de aluguel de uma chácara em seu nome, com Lincoln Fernandes como fiador, e afirmou temer possíveis retaliações após tornar as denúncias públicas.
Defesa
A defesa do vereador nega as acusações e afirma que não há provas que sustentem as denúncias. O advogado Júlio Mossin declarou que já apresentou documentos no processo de cassação em andamento na Câmara Municipal para contestar os relatos dos ex-assessores.
Segundo o advogado, os comprovantes apresentados não indicam irregularidades e podem ter diversas finalidades. Ele também afirmou que um vídeo citado nas denúncias teria sido adulterado e que o caso será levado à Polícia para apuração. A defesa informou ainda que aguarda acesso ao inquérito antes de se manifestar novamente.
“A gente volta a salientar que é uma acusação infundada, sem qualquer lastro probatório algum. Inclusive a defesa do Lincoln já protocolizou a manifestação pertinente (5:26) em relação ao processo de cassação na Câmara dos Vereadores, e lá nós juntamos ampla prova que afasta os argumentos desses ex-assessores”, destacou o advogado Júlio Mossin.
A reportagem entrou em contato com a Delegacia Seccional de Ribeirão Preto para a confirmação dos documentos e relatos apresentados pelos ex-assessores de Lincoln Fernandes, mas foi informada de que o caso corre em sigilo.