Meia Elvinho nasceu em Serrana e passou pelas divisões de base do Rubro Negro; olheiro fala da importância dos alojamentos
Tragédia no Ninho do Urubu: um alerta para o futebol brasileiro
A tragédia ocorrida no centro de treinamento do Flamengo chocou o Brasil e reacendeu o debate sobre as condições em que jovens atletas são alojados em clubes de futebol. A morte de jogadores em um alojamento, local onde jovens abrem mão de muitas coisas para perseguir o sonho de ser jogador, expõe a fragilidade do sistema e a necessidade urgente de mudanças.
A realidade dos alojamentos: além do glamour
Em entrevista à CBN, o empresário Guinello Souza, que possui uma escolinha de futebol em Sertãozinho e revelou talentos como o atacante do São Paulo, Elino, e o jogador do Porto, Eder Militão, destacou a preocupação com a precariedade de alguns alojamentos. Muitos clubes, mesmo os grandes, não oferecem condições adequadas, e a situação se agrava com a antecipação da entrada de jovens atletas nos centros de treinamento, muitas vezes antes dos 14 anos, idade permitida por lei para alojamento.
Responsabilidade compartilhada: clubes, famílias e agentes
A responsabilidade pela situação precária de alguns alojamentos não se limita aos clubes. A busca precoce por talentos, muitas vezes com a conivência de pais, diretores e agentes, contribui para o problema. A falta de estrutura familiar e a realidade socioeconômica de muitos atletas também agravam o cenário. A própria legislação, que permite alojamentos a partir dos 14 anos, contribui para a existência de alojamentos precários, pois muitos jovens, por necessidades financeiras, são alojados antes dessa idade. O ex-jogador Elvinho, que passou pela base do Flamengo, relatou a diferença entre alojamentos precários e outros com melhor estrutura. A falta de alimentação adequada, acompanhamento psicológico e suporte social são fatores preocupantes e comuns em alguns clubes.
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A tragédia do Flamengo deve servir como um alerta para todos os envolvidos no futebol. A busca pelo sucesso não pode se sobrepor à segurança e ao bem-estar dos jovens atletas. É preciso investir em melhores estruturas, em acompanhamento profissional adequado e em políticas que garantam a proteção integral desses jovens, que muitas vezes deixam suas famílias e suas casas para perseguir um sonho. A prioridade deve ser a formação integral do atleta, incluindo aspectos sociais, psicológicos e educacionais, além do desenvolvimento esportivo. Somente assim, o futebol brasileiro poderá garantir um ambiente seguro e propício ao crescimento de seus jovens talentos.



