Ouça a coluna ‘Café com Política’ com Júlio Chiavenato
Boa tarde, ouvintes da CBN Ribeirão. Como leitores, telespectadores e ouvintes, recebemos notícias diariamente, mas como elas são apresentadas pode influenciar nossa interpretação.
Sal, açúcar ou pimenta na notícia
A notícia, antes de ser consumida, pode ser temperada com diferentes doses de “sal, açúcar ou pimenta”, dependendo da intenção de quem a divulga. Um exemplo disso foi a reportagem sobre o ex-diretor da Andrade Gutierrez, Dario Rodrigues Leitinetto, que afirmou em depoimento premiado a existência de um esquema de pagamento de propina e caixa 2 abastecido por notas fiscais falsas.
Obras milionárias e desvios suspeitos
As notas fiscais falsas eram de empresas do doleiro Samir Assad, que recebia dinheiro e o devolvia pelo caixa 2. Embora a reportagem não detalhe quais obras foram afetadas, cita-se a Cidade Administrativa em Minas Gerais e o Rodoanel em São Paulo, durante os governos de Aécio Neves e Geraldo Alckmin. A Cidade Administrativa, orçada em 500 milhões, ultrapassou 1,2 bilhão, com suspeitas de desvios de até 2 bilhões, atualmente sob investigação da Lava Jato. Já o Rodoanel, com orçamento inicial de 5,6 bilhões, sofre com atrasos que elevam seus custos. Ambas as obras são citadas pela Lava Jato como fontes de propina milionária.
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Notícias genéricas escondem detalhes cruciais
A omissão de detalhes e até mesmo a distorção geográfica em algumas reportagens servem para proteger políticos influentes. A falta de especificidade em notícias sobre a Lava Jato esconde informações importantes, diluindo a gravidade das descobertas. A transparência e o detalhamento são fundamentais para que a população compreenda a extensão dos desvios e a responsabilidade dos envolvidos.



