Três internos fugiram do local após uma ‘operação resgate’; uma sindicância para apurar o caso foi aberta pela Corregedoria
Nesta entrevista exclusiva à CBN, Eduardo Viana, ex-diretor da Fundação Casa de Ribeirão Preto por 16 anos e meio, analisa a fuga de três adolescentes da unidade. Ele aponta falhas cruciais na segurança da instituição e discute as implicações da falta de policiamento externo e monitoramento por câmeras.
Segurança precária: omissão ou falha?
Viana argumenta que o termo “falha na segurança” não é preciso. Ele prefere “omissão de segurança policial”, pois a proteção existente é patrimonial e desarmada, focada na proteção do público interno. A localização geográfica da Fundação Casa, em área vulnerável, agrava a situação. A ausência de rondas policiais regulares e o acompanhamento inadequado durante as saídas dos adolescentes expõem internos, funcionários e a comunidade a riscos.
O processo de ressocialização em risco
O processo educativo, segundo Viana, ocorre dentro de muros, com agentes de educação e proteção, seguindo o previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No entanto, a violência não está descartada, pois a unidade acolhe adolescentes em conflito com a lei, que podem representar riscos à comunidade. Para Viana, a segurança externa é crucial, não apenas para prevenir fugas, mas para garantir a segurança dos funcionários e a eficácia do processo de ressocialização. A falta de segurança externa compromete a capacidade dos funcionários de realizar seu trabalho, expondo-os a ameaças internas e externas.
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Prevenção e medidas futuras
Viana destaca a vulnerabilidade da localização geográfica da Fundação Casa e a necessidade de proteção externa armada, sem contato direto com os jovens. Ele explica o complexo processo de triagem dos adolescentes, considerando grau infracional, complexão física e idade, mas enfatiza que a separação não garante o isolamento total. A fuga recente serve de alerta para outras unidades, e Viana defende a necessidade de revisão das medidas de segurança e a importância de políticas públicas que abordem as causas da criminalidade juvenil, incluindo a influência negativa de pais envolvidos com o crime e a falta de oportunidades.
A entrevista revela a complexidade do problema, que envolve a segurança das unidades, o processo de ressocialização dos adolescentes e a necessidade de uma abordagem mais ampla, que considere as causas da criminalidade juvenil e a importância da segurança externa para garantir a eficácia do trabalho socioeducativo.



