Carimbos de profissionais de folga eram usados em documentos; CEI apuração atuação de falsos médicos contratados pelo ICV
O escândalo dos falsos médicos em Franca ganha novos contornos com o depoimento do ex-diretor administrativo do pronto socorro Álvaro Azuz, que acusa a secretária de saúde de ter conhecimento sobre a falsificação de fichas de pacientes. A Comissão Especial de Inquérito da Câmara de Franca, responsável por investigar a atuação irregular, ouviu Ricardo Veríssimo, que corroborou as acusações, detalhando como a fraude era praticada.
Denúncias Ignoradas pela Secretaria de Saúde
Segundo Veríssimo, a equipe que trabalhava com ele identificou o uso indevido de carimbos de médicos em período de folga nas fichas de atendimento. Ele alega ter entregue pessoalmente os documentos comprobatórios à secretária de saúde, Rosani Moscardini, mas nenhuma medida foi tomada para coibir a prática. O ex-diretor também mencionou que as suspeitas começaram quando os médicos contratados pelo Instituto Ciências da Vida (ICV) se recusaram a fornecer dados para um cadastro interno do pronto socorro.
Afastamentos e Questionamentos Abafados
Outro depoimento importante foi o de Víneo de Oliveira, médico que atuou no pronto socorro em 2014. Ele relatou que funcionários que questionavam a conduta dos médicos terceirizados pelo ICV eram remanejados para outros setores. Oliveira mencionou casos específicos, como a estranheza causada por prescrições incomuns, e o afastamento de diversos funcionários, incluindo a diretora clínica, que denunciaram as irregularidades.
ICV Sob Investigação
O ICV, responsável pela contratação dos médicos, está sendo investigado pela Polícia Civil, Ministério Público, Câmara e Prefeitura de Franca desde o ano passado, sob suspeita de fraudes na atuação dentro do pronto socorro. As investigações incluem a utilização de números de CRM que não pertenciam aos profissionais em exercício. Veríssimo também ressaltou que a checagem das fichas, escalas e atendimentos é de responsabilidade da Secretaria de Saúde.
A prefeitura de Franca nega ter recebido as fichas mencionadas por Veríssimo, mas afirma ter aberto uma sindicância e entregue as fichas de atendimento dos falsos médicos à Polícia Civil e ao Ministério Público, após tomar conhecimento das supostas irregularidades. A comissão de estudos, que investiga o caso desde agosto do ano passado, teve seu prazo prorrogado até abril, e continua a ouvir servidores municipais, representantes do ICV e de outras empresas ligadas à prestação de serviços médicos.



