Ricardo José Guimarães passa a somar 274 anos em condenações por nove assassinatos; autor dos disparos foi condenado a 25 anos
O ex-policial civil José Ricardo Guimarães foi condenado a 30 anos de prisão pela morte de Tiago Xavier de Stephanie, Ex-policial considerado chefe de grupo de extermínio é condenado a 30 anos de prisão por morte de jovem, ocorrida em maio de 2013, em Ribeirão Preto. Guimarães, considerado chefe de um grupo de extermínio que atuou na cidade entre 1996 e 2004, acumula atualmente 274 anos de prisão por nove assassinatos.
Outro réu no caso, Tiago Ferreira da Silva Moreira, apontado como autor dos disparos que mataram Stephanie, foi condenado a 25 anos de prisão. O julgamento ocorreu no tribunal do júri do fórum de Ribeirão Preto, 21 anos após o crime, e durou cerca de 13 horas. O juiz presidente do júri, José Roberto Bernardo Liberal, determinou que ambos cumpram as penas imediatamente.
Guimarães retornará ao presídio de Tremembé, onde já cumpria pena, enquanto Tiago Moreira está internado devido a um quadro de esquizofrenia. Segundo a defesa, ele deverá ser preso após alta hospitalar, embora não tenha comparecido ao julgamento por estar hospitalizado.
Contexto do crime e acusação: De acordo com o Ministério Público, Stephanie foi morto a tiros em sua residência no bairro Jardim Independência, zona norte de Ribeirão Preto, motivado por ciúmes. O crime teria relação com um relacionamento anterior da vítima com uma mulher que mantinha contato com Guimarães.
Moreira foi apontado como o autor dos disparos que causaram a morte de Stephanie, que era namorado da então investigadora de polícia. A denúncia também afirma que Guimarães tentou mascarar o crime plantando drogas e armas na casa da vítima.
Provas e depoimentos: O advogado Eugênio Malavasi, responsável pela acusação, detalhou as estratégias e provas apresentadas durante o julgamento para convencer os jurados. Segundo ele, Tiago Moreira foi o autor material do homicídio, enquanto Guimarães teria participado do crime ao estar presente no local e transportar o autor material.
“Temos uma testemunha ocular externa que presenciou os fatos e já prestou depoimento. As provas são lícitas e claras, oriundas dessa testemunha que prestou depoimento sob o contraditório e na presença do constituído de sentença, o que respalda o pleito condenatório”, afirmou Malavasi.
Durante o julgamento, a testemunha confirmou ter ido ao local do crime após ouvir os disparos e relatou que Guimarães teria se justificado dizendo que o colega em uma caminhonete preta foi o responsável pelo homicídio.
Reação da família da vítima: A mãe de Tiago Xavier, Aparecida Maria Xavier, compareceu ao fórum e expressou sua expectativa pela condenação dos réus. Ela afirmou que aguardava o julgamento há 21 anos e que a justiça deve ser feita, mesmo que isso não traga seu filho de volta.
“Hoje vai ser provado o que fizeram com Tiago e comigo. Colocaram droga e arma na minha casa, mataram meu filho. Os dois assassinos mataram meu filho. A justiça tem que ser feita em nome dele e em nosso nome. Confio no juízo de Deus e agora dos homens”, declarou Aparecida.
Defesa e recursos: O advogado Antônio Carlos Joliveira, que defende Guimarães, contestou as acusações, afirmando que não há provas de que seu cliente tenha sido autor ou participado do crime. Segundo ele, o Ministério Público não conseguiu demonstrar a participação de Guimarães no homicídio ao longo dos anos de processo.
“Não existe nenhum reconhecimento em juízo que leve Guimarães à cena do crime. Policiais militares afirmam com certeza que o veículo Blazer não esteve no local após o crime e que Guimarães também não esteve no local”, declarou Joliveira.
Além disso, o advogado Fábio Cunha Loureiro, que representa Tiago Moreira, também informou que recorrerá da decisão.
Condenações anteriores e cumprimento de pena
José Ricardo Guimarães já cumpria pena por nove homicídios, totalizando 274 anos de prisão. Pela legislação vigente na época dos crimes, o tempo máximo de cumprimento de pena era de 30 anos. Em 2020, com a aprovação do chamado pacote anticrime, esse limite foi ampliado para 40 anos em regime fechado.
Informações adicionais
O julgamento ocorreu 21 anos após o crime, refletindo a complexidade e a duração do processo judicial. A condenação de Guimarães reforça seu histórico como líder de um grupo de extermínio em Ribeirão Preto entre 1996 e 2004. A decisão do tribunal do júri considerou o homicídio motivado por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima.


