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Ex-policial suspeito de chefiar grupo de extermínio em Ribeirão vai a juri popular

Ricardo José Guimarães, que já acumula 244 anos de prisão, é acusado de mandar matar Thiago Stefani, em 2003
Ex-policial suspeito de chefiar grupo
Ricardo José Guimarães, que já acumula 244 anos de prisão, é acusado de mandar matar Thiago Stefani, em 2003

Ricardo José Guimarães, que já acumula 244 anos de prisão, é acusado de mandar matar Thiago Stefani, em 2003

Começou nesta segunda-feira o julgamento de Ricardo José Guimarães, Ex-policial suspeito de chefiar grupo de extermínio em Ribeirão vai a juri popular, ex-policial acusado de chefiar um grupo de extermínio em Ribeirão Preto. Ele e Tiago Moreira respondem pelo assassinato de Tiago Xavier de Stephanie, ocorrido em 2003 no bairro Jardim Dependência, zona norte da cidade. A vítima tinha 21 anos na época do crime.

O júri, realizado no fórum local, conta com sete jurados, sendo quatro homens e três mulheres. Os réus chegaram ao tribunal por volta das 10 horas da manhã. O julgamento iniciou com os depoimentos das testemunhas de acusação: um amigo da vítima que presenciou o crime e uma amiga que chegou logo após os disparos.

Detalhes do crime e acusações: Segundo a denúncia do Ministério Público, Tiago Xavier foi executado a tiros por se relacionar com uma mulher que mantinha contato com Guimarães. Tiago Moreira é apontado como o autor dos disparos que mataram a vítima, enquanto Guimarães teria planejado o crime e, para encobri-lo, plantado drogas e armas na casa da vítima.

A mãe da vítima, Aparecida Maria Xavier, que aguarda o julgamento há 21 anos, afirmou confiar na justiça e espera que o caso seja finalmente esclarecido.

“Tenho certeza que a justiça será feita hoje. Por 21 anos estamos esperando por isso. Hoje vai ser provado tudo que fizeram contra meu filho e contra mim. Nada traz meu filho de volta, mas a justiça tem que ser feita em nome dele e nosso”, declarou.

Testemunhos e evidências: Uma das testemunhas, Elaine Gonçalves, vizinha e amiga da vítima, relatou à equipe da EPTV detalhes do ocorrido. Ela afirmou ter visto Guimarães no local do crime logo após os disparos. Segundo Elaine, Guimarães teria indicado quem seria o autor dos tiros e esteve presente na cena, acompanhado de outro homem em uma Blazer preta, possivelmente policial civil.

“Ricardo me chamou do outro lado da rua, me deu sinal e falou para minha amiga que quem matou o Tiago foi aquele rapaz da camionete. Ele tentou me matar, mas as balas não me acertaram. Eu empurrei ele e disse para voltar para dentro que eu iria avisar a dona Vera, irmã da dona Sidinha”, contou.

Ela também negou que a vítima estivesse envolvida com drogas, afirmando que as supostas armas e entorpecentes só apareceram após a chegada da polícia civil no local.

Defesa e histórico criminal de Guimarães

O advogado de defesa de Ricardo Guimarães, Dr. Antônio Carlos de Oliveira, afirmou que o Ministério Público não conseguiu comprovar a participação do ex-policial no crime durante o processo. Segundo ele, não há reconhecimento em juízo que coloque Guimarães na cena do crime, e policiais militares confirmam que a Blazer preta não esteve no local após o ocorrido.

Ricardo José Guimarães possui cinco condenações anteriores que somam 244 anos de prisão. Conhecido na cidade como “Matador Guimarães” nos anos 1990 e início dos anos 2000, ele foi condenado em 2017 pela morte de dois jovens no bairro Avellino Alves Palma, recebendo pena de 72 anos. No mesmo ano, foi condenado no Rio Grande do Sul por homicídio de dois policiais na fronteira entre Brasil e Uruguai, com pena superior a 48 anos.

Em 2018, Guimarães foi condenado a 56 anos por homicídio em Ribeirão Preto e, no mesmo ano, recebeu pena de 30 anos pelo assassinato de Tiago Aguiar Silva. Sua última condenação, em julgamento pelo assassinato de Maicon Nahri de Silva e Rogério Fernandes, resultou em 38 anos de prisão.

Contexto dos homicídios em Ribeirão Preto: Os crimes atribuídos a Guimarães ocorreram entre 1996 e 2004, período em que a cidade enfrentava altos índices de homicídios, atribuídos em parte à atuação de grupos de extermínio. Em 2001, foram registrados 176 homicídios, o que representava um crime a cada dois dias. Em 2002, o número caiu para 140, e em 2003, para 73 casos.

Em 2004, ano em que Guimarães foi preso pela primeira vez, a cidade registrou 56 homicídios. Em 2023, o número de casos caiu para 32, uma média de um crime por semana, ainda considerada alta, mas significativamente menor do que nos anos anteriores.

Entenda melhor
  • Ricardo José Guimarães é acusado de chefiar um grupo de extermínio em Ribeirão Preto e responde por vários homicídios.
  • O julgamento atual refere-se ao assassinato de Tiago Xavier de Stephanie, ocorrido em 2003.
  • Testemunhas afirmam ter visto Guimarães na cena do crime, enquanto a defesa contesta sua participação.
  • Guimarães possui condenações anteriores que totalizam 244 anos de prisão.
  • O número de homicídios em Ribeirão Preto tem diminuído desde o início dos anos 2000.

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