Nísia Trindade esteve no Hemocentro, nesta segunda (25), onde participou do lançamento do estudo clínico do Car-T Cell
A ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima, esteve em Ribeirão Preto nesta segunda-feira para acompanhar o lançamento de um estudo clínico sobre uma terapia inovadora contra cânceres do sangue. O repórter Lucas Faleiros cobriu o evento para a CBN, que reuniu autoridades da saúde e pesquisadores no hemocentro da cidade.
Lançamento e avaliação da nova terapia
A chegada da comitiva sofreu atraso por conta de chuvas, mas a cerimônia ocorreu normalmente no núcleo de terapia avançada do hemocentro. A técnica apresentada é a terapia CAR-T, que reprograma os linfócitos T do paciente para que ataquem células tumorais em doenças como leucemia aguda e alguns linfomas. Em sua avaliação, a ministra destacou o potencial transformador do tratamento para pacientes em estágios avançados: “Trata-se de uma verdadeira revolução na terapia de alguns cânceres”, disse, ressaltando os resultados promissores em casos resistentes às abordagens convencionais.
Desenvolvimento local e autonomia tecnológica
Rodrigo Calado, diretor-presidente do hemocentro e professor da USP, afirmou que a tecnologia foi desenvolvida integralmente no campus de Ribeirão Preto, sem depender de insumos ou processos estrangeiros: “É um processo complexo e sofisticado e a tecnologia disponível aqui é única na América Latina. Conseguimos desenvolver todos os passos — construção de vetores, modificação genética, processamento e atendimento ao paciente — sem depender de tecnologia estrangeira”. As instalações visitadas produzem as células utilizadas no tratamento.
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Detalhes do estudo clínico e próximos passos
O estudo selecionará 81 pacientes em cinco instituições de saúde distribuídas por São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. Podem participar pessoas entre 13 e 70 anos que não responderam adequadamente a tratamentos convencionais, como quimioterapia, transplante de medula óssea e radioterapia. O protocolo prevê testes com duração de um ano, mas o acompanhamento clínico continuará por cinco anos. Segundo os pesquisadores, desde 2019 vinte pacientes já receberam a terapia de forma experimental, e 14 deles seguem em boas condições.
A terapia consiste na coleta de linfócitos T do sangue do paciente, na reprogramação genética dessas células e na reinfusão na corrente sanguínea para atacar o tumor. A expectativa é de que a Anvisa registre a tecnologia em 2025, o que permitiria sua disponibilização pelo SUS. Além da agenda sobre o CAR-T, a ministra também abordou incorporação de novos tratamentos, citando a tafenoquina para tratamento em dose única de malária na região Yanomami, após capacitação das equipes de saúde.
Representantes do governo federal e instituições como Fiocruz e Instituto Butantan marcaram presença no lançamento, que autoridades e pesquisadores definem como um passo importante para ampliar as alternativas de tratamento e fortalecer a pesquisa aplicada no país. O anúncio ressalta, para pacientes e profissionais, a expectativa de ampliar o acesso a terapias inovadoras nos próximos anos.



