Água turva e o aumento das matérias orgânicas nos rios afastam os peixes das iscas
As fortes chuvas que atingiram a região em janeiro e fevereiro de 2020 impactaram significativamente a atividade pesqueira no Rio Mogi. Enquanto em anos anteriores o período era marcado por seca, a grande quantidade de água tornou a pesca muito mais difícil.
Desafios da Pesca em Águas Cheias
O aumento do volume de água dificulta a subida dos peixes na época da piracema, como explica Adriano Pérez, coordenador do ICMBio. Com o rio cheio, os peixes encontram obstáculos para alcançar as áreas de reprodução, concentrando-se em determinados pontos. Essa situação exige cuidados para garantir a preservação das espécies durante sua migração.
Depoimentos de Pescadores
Pescadores locais relatam as dificuldades enfrentadas. Durval Penha, pescador profissional, preferiu não se arriscar, considerando as condições do rio desfavoráveis. José Bueno e Altino Filho, por exemplo, tiveram dificuldades para pescar, perdendo iscas e capturando apenas cinco peixes. A água turva, carregada de capim e outros detritos, dificulta a visualização e a captura dos peixes.
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Impacto da Matéria Orgânica
Fábio Sucel, pescador esportivo, destaca outro fator que contribui para a baixa captura de peixes: a grande quantidade de matéria orgânica trazida pelas chuvas. Essa matéria orgânica serve de alimento para peixes menores, que por sua vez, são a base alimentar dos peixes maiores. Com os peixes bem alimentados naturalmente, a pesca fica ainda mais difícil, pois eles mostram pouco interesse pelas iscas.
Apesar dos desafios impostos pelas fortes chuvas, os pescadores seguem em busca do sustento. A situação atual demonstra a estreita relação entre as condições climáticas e a atividade pesqueira na região, mostrando a necessidade de adaptação e manejo sustentável dos recursos hídricos.



