Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Danielle Zeoti
Todos os pais se preocupam com os filhos, buscando zelar por seu bem-estar e protegê-los. No entanto, o excesso de cuidado pode gerar a hiperpaternidade, um estilo de vida que prejudica o desenvolvimento infantil.
Hiperpaternidade: Pais Excessivamente Protetores
A hiperpaternidade se caracteriza pela incessante preocupação dos pais em evitar que seus filhos experimentem qualquer tipo de frustração. A ideia de que as crianças devem ser fadadas ao triunfo total na vida, sem experimentar dificuldades, leva a um comportamento hiperprotetor que impede o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de resolução de problemas. Crianças criadas sob essa dinâmica podem se tornar inseguras e incapazes de lidar com os desafios do cotidiano.
Consequências na Escola e na Vida
As consequências da hiperpaternidade são observadas em diversos contextos, especialmente na escola. Pais hiperprotetores frequentemente se envolvem em conflitos com a instituição, exigindo atenção e tratamento diferenciado para seus filhos. Um exemplo prático é o caso de uma mãe que acompanhava seu filho de 8 anos até dentro da escola, realizando tarefas simples que a criança era perfeitamente capaz de fazer sozinha, como carregar sua própria mochila e passar pela catraca. Essa atitude, aparentemente banal, ilustra a incapacidade de permitir que a criança desenvolva sua independência e responsabilidade.
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As crianças criadas sob hiperpaternidade podem apresentar hiperestimulação precoce, estresse, baixa tolerância à frustração, reações agressivas e baixa autoestima. A falta de experiência com a frustração as deixa despreparadas para os desafios da vida adulta. É fundamental que os pais compreendam que a frustração é parte essencial do desenvolvimento infantil, ensinando as crianças a lidar com os “nãos” da vida e a desenvolver resiliência.
A Importância do Equilíbrio
Em vez de buscar um caminho sem obstáculos para os filhos, os pais devem focar em ensiná-los a lidar com os desafios, mostrando os perigos, mas também oferecendo apoio e acolhimento. A proteção excessiva impede o desenvolvimento emocional saudável, sendo crucial encontrar um equilíbrio entre o cuidado e a autonomia da criança. Permitir que as crianças experimentem frustrações, aprendam com seus erros e desenvolvam a capacidade de resolver problemas por si só é fundamental para sua formação integral.