O pediatra Ivan Savioli Ferraz traz os detalhes na coluna ‘Filhos e Cia’
Atraso na fala: quando se preocupar?
O atraso na fala é mais comum do que se imagina, afetando até 20% das crianças. Embora a maioria dos casos seja benigna, é importante ficar atento a alguns sinais. Por volta de um ano, a criança deve dizer de três a quatro palavras, mesmo que simples como “mamãe” ou “papá”. Aos dois anos, frases curtas devem começar a surgir, e aos quatro, uma pessoa estranha precisa conseguir entender quase tudo o que ela fala. Se a criança não atingir esses marcos, é preciso procurar um pediatra.
Causas e Investigação
A predisposição genética pode influenciar o desenvolvimento da fala, mas outros fatores também devem ser considerados. A falta de estímulo é uma possibilidade, sendo que o uso excessivo de telas também é apontado como um fator que pode contribuir para o atraso. No entanto, é crucial descartar problemas de audição e outros atrasos no desenvolvimento, como dificuldades motoras ou de interação social, que podem indicar condições como o transtorno do espectro autista. A avaliação médica precisa ir além da simples observação do atraso na fala.
Estímulo e Intervenção
Pais e responsáveis têm um papel fundamental no estímulo à fala. A participação da criança em atividades como o preparo de alimentos, por exemplo, pode ser muito benéfica. É importante evitar a antecipação das necessidades da criança, como entregar o brinquedo ou a comida antes mesmo que ela peça. Embora não haja comprovação científica de diferenças entre meninos e meninas quanto ao desenvolvimento da fala, a paciência e o apoio são cruciais, combatendo o preconceito que crianças com atraso na fala podem sofrer. O acompanhamento pediátrico regular é essencial para a detecção precoce e intervenção adequada, idealmente antes dos quatro anos de idade, período considerado ótimo para estimular a fala, embora resultados positivos também possam ser obtidos posteriormente.
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O acompanhamento médico regular é fundamental para garantir o desenvolvimento saudável da linguagem infantil. Detectar precocemente um possível atraso permite intervenções eficazes e um melhor prognóstico. A colaboração entre pais, pediatras e outros profissionais, quando necessário, é crucial para o sucesso do tratamento e a plena integração social da criança.