Ouça a coluna ‘Sustentabilidade’, com Carlos Alencastre
O engenheiro civil Carlos Alencastre, Exploração do gás xisto é o, do Departamento de Água e Energia Elétrica, explicou as características e os desafios da exploração do gás de xisto, um tipo de gás natural preso em rochas antigas formadas há milhares de anos. Segundo ele, o gás de xisto é considerado um gás não convencional, pois não está disponível em jazidas tradicionais de petróleo e gás, exigindo técnicas específicas para sua extração.
Para explorar o gás de xisto, são realizados poços que penetram entre 1.200 e 2.500 metros de profundidade. Após atingir o reservatório, a perfuração segue na horizontal, seguida da aplicação de microexplosões e da injeção de uma mistura de água, areia e produtos químicos em alta pressão. Esse processo, conhecido como fraturamento hidráulico, provoca a ruptura das rochas para liberar o gás.
Aspectos técnicos da exploração: O fraturamento hidráulico é uma técnica complexa e controversa, proibida em alguns países como França e Bulgária, mas amplamente utilizada nos Estados Unidos, onde a produção de gás de xisto aumentou de 1% para 20% entre 2000 e 2010. No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) planeja realizar leilões para exploração em diversas áreas, mas ainda não há uma definição clara sobre os impactos e a viabilidade da atividade no país.
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Viabilidade econômica e riscos ambientais
De acordo com Carlos Alencastre, a exploração do gás de xisto é financeiramente viável quando há grandes jazidas, sendo o gás um recurso energético importante para o crescimento do país. No entanto, ele alerta para os riscos envolvidos na extração, como vazamentos de gás metano, explosões, incêndios e poluição de lençóis freáticos e aquíferos profundos.
Controvérsias e posicionamentos: O engenheiro destaca que a exploração ainda não é suficientemente estudada e que não existem garantias de que os danos ambientais possam ser evitados. Organizações não governamentais internacionais, como WWF e Greenpeace, manifestam-se contrárias ao fraturamento hidráulico devido às incertezas sobre seus efeitos. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério do Meio Ambiente ainda não emitiram pareceres definitivos sobre o tema no Brasil.
Importante considerar
A exploração do gás de xisto no Brasil está em fase inicial, com previsão de leilões para outubro. Apesar do potencial energético, os impactos ambientais e os riscos à segurança dos trabalhadores ainda geram dúvidas. Especialistas recomendam estudos aprofundados para garantir uma exploração segura e sustentável.



