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Exportações de calçados aumentam para o Oriente Médio

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Exportações de calçados
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Em um cenário econômico desafiador para o setor calçadista, as exportações de Franca para o Oriente Médio apresentaram um crescimento notável de 58,2%. José Carlos Brigagão Jr., presidente do sindicato da indústria de calçados de Franca, compartilha insights sobre esse fenômeno e os desafios enfrentados pelo setor.

A Busca por Novos Mercados

Brigagão Jr. explica que, nas décadas de 80 e 90, as exportações eram majoritariamente direcionadas aos Estados Unidos, concentrando entre 60% e 65% do volume total. No entanto, a crescente concorrência asiática e os desafios do “custo Brasil” forçaram a indústria a buscar alternativas. “Fomos obrigados a procurar outros mercados”, afirma o presidente. Atualmente, Franca exporta para mais de 60 países, com destaque para Arábia Saudita e Emirados Árabes, onde produtos de valor agregado têm encontrado aceitação.

O Declínio nas Exportações para os EUA

Enquanto o Oriente Médio aumenta suas importações, os Estados Unidos, tradicional comprador desde a década de 80, reduziram suas aquisições de calçados de Franca. Essa queda representa 27,6% das exportações, contrastando com os 11,19% da Arábia Saudita e 7% dos Emirados Árabes. Brigagão Jr. atribui o aumento das exportações para os Emirados Árabes aos esforços dos empresários em promover suas marcas no exterior, com o apoio de entidades como a ApexBrasil e a Abicalçados, que promovem feiras internacionais. Apesar disso, os números ainda estão distantes dos 15,5 milhões de pares exportados em 1993, comparados aos 3 milhões atuais, um patamar similar ao de 2009.

A Necessidade de Ações Governamentais

Para impulsionar o setor, Brigagão Jr. enfatiza a importância de um trabalho conjunto entre o governo federal e o setor privado. Ele propõe a criação de um comitê do setor de manufatura brasileira, especialmente de calçados, para traçar metas e planejar a conquista de mercados globais. O presidente cita o exemplo do setor de couro, que alcançou US$ 3 bilhões em exportações. Ele também aponta problemas como o ressarcimento do ICMS para empresas exportadoras, um direito garantido por lei. “O Brasil não pode exportar impostos”, ressalta.

Embora o crescimento das exportações para o Oriente Médio seja um sinal positivo, ele representa menos de 10% da produção total de Franca, que é de 38 milhões de pares. O mercado interno ainda é o principal destino da produção, absorvendo 90% do volume. A redução do consumo interno, impulsionada pelo endividamento da população, impacta diretamente o setor. Brigagão Jr. defende que o governo federal direcione sua atenção para as pequenas empresas, responsáveis por 90% dos empregos no Brasil, promovendo reformas e desburocratização.

As demissões no setor calçadista de Franca continuam, embora em um nível considerado “satisfatório”. Em relação a julho do ano anterior, foram perdidos 2.500 empregos, e 800 apenas neste ano. A expectativa é de estagnação ou leve diminuição em 2014. A incerteza paira sobre o futuro, dependendo das ações do próximo governo. O setor aguarda com apreensão as decisões que serão tomadas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades.

Diante do cenário apresentado, a colaboração entre o setor privado e o governo se mostra fundamental para superar os obstáculos e garantir a sustentabilidade e o crescimento da indústria calçadista de Franca.

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