Presidente de sindicato, José Carlos Brigagão falou à CBN Ribeirão
As indústrias calçadistas de Franca registraram um aumento de 8,9% nas exportações entre janeiro e outubro do ano passado, totalizando pouco mais de dois milhões de produtos. No entanto, o faturamento do setor apresentou uma leve queda, passando de 70 milhões para 69,9 milhões de dólares. Para entender melhor este cenário, a Rádio CBN entrevistou José Carlos Brigagão, presidente do sindicato da indústria de calçados de Franca.
Concorrência Internacional e a Necessidade de Políticas Governamentais
Brigagão destacou a forte concorrência dos calçados asiáticos, que impacta tanto o mercado interno quanto o externo. Ele mencionou a perda do mercado americano como um dos principais desafios. Para reverter essa situação, o presidente do sindicato defende a necessidade de uma política de exportação de manufaturados clara, duradoura e confiável por parte do governo federal. A recente alteração no programa Reintegra, que antecipou o término de um incentivo fiscal, foi citada como um exemplo de medida que dificulta as exportações, devido ao longo prazo necessário para negociações e produção.
A Influência do Dólar e a Modernização da Indústria
A volatilidade do dólar também foi apontada como um fator de incerteza para os exportadores, que precisam prever a cotação da moeda com meses de antecedência. Além disso, Brigagão ressaltou a importância de modernizar a indústria para enfrentar a concorrência internacional. Ele mencionou a alta carga tributária e outros custos que pesam sobre o produto brasileiro, dificultando a competição com os calçados asiáticos. A venda de couro para países asiáticos, que o utilizam para produzir calçados mais baratos, também foi mencionada como um fator que afeta a competitividade.
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Qualidade e Design como Diferenciais
Apesar dos desafios, Brigagão enfatizou a qualidade e o design dos calçados de Franca como diferenciais importantes. Ele afirmou que a cidade não tem concorrência na América Latina para calçados especializados e masculinos. No entanto, ele reforçou a necessidade de uma política de exportação clara para que o setor possa vencer a concorrência no mercado internacional e evitar a dependência excessiva do mercado interno.
O setor calçadista de Franca demonstra resiliência, buscando manter os níveis de emprego e apostando na qualidade de seus produtos. A superação dos desafios passa pela modernização da indústria e pelo estabelecimento de políticas governamentais que incentivem as exportações.



