Exportações de carne bovina batem recorde e demandas da China e dos EUA influenciam mercado
As exportações brasileiras de carne bovina têm apresentado um crescimento notável, com volumes recordes registrados em outubro e uma projeção de aumento de 12% para o próximo ano em comparação com o ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). Mas como funciona o processo de exportação, incluindo o gado vivo?
Exportação de Gado Vivo: Um Processo Rigoroso
A exportação de gado vivo no Brasil é um processo altamente regulamentado, com diversas etapas para garantir sanidade, rastreabilidade e bem-estar animal. Não se trata de uma atividade simples, exigindo planejamento e habilitação do exportador junto ao Ministério da Agricultura (MAPA). Um contrato com um estabelecimento de pré-embarque é essencial, pois os animais precisam cumprir quarentena e passar por rigorosos controles sanitários. Recentemente, um navio com gado vivo que saiu do Uruguai com destino à Turquia enfrentou problemas alfandegários, ressaltando a importância desses procedimentos.
Melhoramento Genético e a Exportação
A exportação de gado vivo se diferencia da exportação de carne processada, principalmente, pelo objetivo de melhoramento genético. Raças como o Nelore, originária da Índia, foram introduzidas no Brasil por meio da importação de animais vivos no início do século XX. A finalidade principal é multiplicar um determinado gene em locais onde ele ainda não está disponível, impulsionando a qualidade e a produtividade do rebanho.
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China e Estados Unidos: Mercados Estratégicos
A China, um dos maiores consumidores de carne bovina do mundo, tem grande representatividade nas compras do Brasil. No entanto, o país asiático iniciou uma análise das importações brasileiras em 2024, investigando o impacto do volume importado nos preços internos. Essa revisão foi estendida até janeiro de 2026, com foco no volume e nos preços praticados. Já os Estados Unidos são considerados um mercado premium, que paga um valor diferenciado pela arroba importada, mas exige processos de produção mais qualificados e rigorosos. O Brasil possui uma cota para exportar para os EUA, que valorizam a qualidade dentro de limites pré-estabelecidos.
Com a proximidade das festas de fim de ano, é natural que o consumo de carne aumente, impactando os preços no mercado interno. Essa sazonalidade é comum e tende a encarecer o produto, refletindo a dinâmica entre oferta e demanda.