Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
Até cerca de uma década atrás, viajar de avião era um luxo acessível a poucos. Hoje, o transporte aéreo se tornou um sinal de progresso, comum e acessível a grande parte da população brasileira. Um reflexo da evolução social e econômica, impulsionado pela extensão do país e pelas limitações de outros meios de transporte. Em 2012, o número de passageiros transportados na aviação civil brasileira ultrapassou a marca de 100 milhões.
Ruído de Aviões e Riscos Cardiovasculares
Entretanto, a exposição contínua aos altos níveis de ruído gerados por aeronaves pode estar relacionada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. Um estudo recente avaliou essa relação, com duas observações distintas.
A primeira observação, realizada no Reino Unido, comparou admissões hospitalares e taxas de morte por derrame e infarto em 12 municípios e 9 distritos de Londres, próximos ao aeroporto de Heathrow. A análise revelou um ruído médio de pelo menos 50 decibéis durante o dia. Em áreas com maiores níveis de ruído, o risco de admissão hospitalar foi de 20% a 30% maior do que em áreas com menor ruído. O risco aumentado persistiu mesmo após o controle de outras variáveis como idade, sexo, tabagismo e outros fatores de risco. O risco de morte por infarto e doenças cardiovasculares em geral aumentou de 15% a 20% nas áreas com maiores níveis de ruído.
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Impacto da Tecnologia e Recomendações
Um ponto importante é que, em 2011, com a introdução de aeronaves menos ruidosas, esses riscos foram reduzidos. A Dra. Zosia Kimietovics, envolvida no estudo, ressalta que a avaliação foi feita em uma área de disposição e não pode ser aplicada individualmente. Existem razões plausíveis para essa interferência, como o aumento do estresse, da pressão arterial, da frequência cardíaca e distúrbios no sono.
Outro estudo, realizado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, indicou que moradores de 89 regiões próximas a aeroportos estão sujeitos a um risco 3,5% maior para cada 10 decibéis aumentados no ruído.
O Dr. Stephen Stunfeld, da Universidade de Londres, sugere que as autoridades considerem reprogramar aeroportos para áreas de menor densidade populacional. No Brasil, muitos dos 2.498 aeroportos estão localizados em áreas urbanas densas, como Recife, Congonhas, Ribeirão Preto e Guarulhos.
É crucial lembrar que residir próximo a um aeroporto não constitui isoladamente um risco individual, mas exige uma avaliação global desse e de outros fatores de risco presentes.
A pesquisa enfatiza a necessidade de estudos adicionais para confirmar essas observações iniciais, e reforça a importância do controle de outros fatores de risco, como colesterol, diabetes, tabagismo e obesidade.



