Ouça a entrevista com com o artista Albano Afonso
A exposição Amor-fate, do artista visual Albano Afonso, está em cartaz no Museu de Arte de Ribeirão Preto e reúne fotografias, instalações, desenhos e esculturas produzidas desde 2001, além de uma peça inédita criada para a ocasião. A mostra oferece ao público um panorama de 14 anos da trajetória do autor e ocupa os espaços generosos do museu com obras que variam em escala e linguagem.
Origem e conceito
O título Amor-fate — expressão que pode ser lida como “amor ao destino” — foi sugerido pelo curador José Matas. Em conversa com a Rádio CBN, Albano Afonso explicou que a ideia da mostra nasceu a partir desse diálogo curatorial e tem na filosofia de Friedrich Nietzsche, sobretudo na noção do Eterno Retorno, uma referência central. Segundo o artista, o termo é antigo e admite leituras múltiplas, o que favorece uma recepção mais abstrata das obras.
Albano também atribui importância ao texto curatorial: “A exposição possui um caráter filosófico, reforçado pelo texto do curador José Matas, que estabelece uma relação direta com as peças no primeiro momento da visita”, disse.
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Seleção e percurso da obra
Com mais de uma década de carreira e passagem por diferentes países, Albano reuniu na mostra trabalhos que percorrem fases distintas de sua produção. A seleção inclui obras que não eram vistas há mais de dez anos, entre elas instalações de grande porte que se articulam com a arquitetura do museu e promovem uma experiência imersiva.
“É importante para mim que o público veja trabalhos que estavam guardados há muito tempo, especialmente as instalações que ganham uma nova dimensão neste espaço”, afirmou o artista, destacando o interesse em reativar peças antigas em contexto renovado.
Temática, continuidade e fruição
Apesar da diversidade de suportes — fotografia, desenho, escultura e instalação —, Albano aponta uma linha de continuidade na produção exibida. A temática do destino e a noção de retorno orientam a leitura das obras, sugerindo que, mesmo diante de mudanças técnicas e formais, há um retorno a princípios centrais do seu trabalho.
“Meu trabalho é resultado de um processo contínuo de construção e incorporação de elementos presentes, mantendo uma base sólida em minha própria obra”, declarou o artista, ressaltando ainda que as artes visuais permitem múltiplas leituras e não exigem pré-requisitos para a apreciação.
A exposição fica em cartaz até 13 de abril no Museu de Arte de Ribeirão Preto. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3363-5241.



