Quem responde é a mestre em linguística Lígia Boareto, na coluna ‘CBN Papo Certo’
O programa Papo Certo da CBN Ribeirão debateu a polêmica do uso da crase na expressão “a distância”. A discussão foi motivada por uma enquete realizada nas redes sociais da emissora, onde 80% dos participantes optaram pelo uso da crase e 20% votaram contra.
A distância como sujeito
Utilizando a música “A distância é forte como o vento”, de Toquinho, como ponto de partida, a discussão analisou o caso em que “a distância” funciona como sujeito da oração. Nesse contexto, a crase é inadequada. A explicação reside na possibilidade de substituição por um substantivo masculino: “O distanciamento é forte como o vento”. Como não se usaria crase em “o distanciamento”, o mesmo se aplica a “a distância”.
Crase obrigatória em distâncias determinadas
Por outro lado, o uso da crase torna-se obrigatório quando a distância é determinada ou especificada, como em “a distância de 300 metros” ou “a escola fica a distância de 50 metros”. Neste caso, a presença de uma locução prepositiva (“a distância de”) exige o uso do acento indicador de crase. Essa regra é frequentemente cobrada em vestibulares e concursos públicos.
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A polêmica da crase e a ambiguidade
A questão da crase em expressões como “graduação à distância” ou “ensino à distância” gera controvérsia. Embora o uso seja facultativo para alguns gramáticos, outros, como o professor Pasquale, defendem o uso da crase para evitar ambiguidades. A ambiguidade surge porque a frase pode se referir ao ensino sobre a distância ou ao ensino realizado remotamente. O uso da crase esclarece o sentido pretendido, promovendo clareza na comunicação.
O programa finaliza com a notícia do prêmio Nobel de Literatura para o escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, reconhecendo a importância da diversidade na literatura e a produção literária além das academias tradicionais.