Os dois homens que se passaram por policiais civis para abordar um jovem de 18 anos em um hotel de Ribeirão Preto exigiram a transferência de quase R$ 800 mil em criptomoedas durante o crime, segundo informou a Polícia Civil. Um dos suspeitos já foi preso e o outro foi identificado, mas continua foragido.
De acordo com as investigações, a vítima foi algemada, colocada no porta-malas de um carro e levada até Cravinhos, onde foi obrigada a realizar as transferências dos ativos digitais antes de ser libertada.
Crime planejado
Segundo o delegado José Carvalho de Araújo Júnior, os investigados já possuem envolvimento em crimes semelhantes e descobriram que o jovem trabalhava com conversões de dinheiro em criptomoedas.
Com essa informação, os suspeitos foram até o hotel onde ele estava hospedado, usando roupas semelhantes às da Polícia Civil e apresentaram um falso mandado de prisão para conseguir acesso ao local.
Imagens registradas por uma funcionária mostram o momento da abordagem. O jovem chega a pedir para ver o mandado, mas os homens afirmam que o documento seria apresentado apenas na delegacia. Em seguida, ele é algemado e colocado em um veículo. Durante o trajeto até Cravinhos, a vítima foi obrigada a transferir os valores em criptomoedas para os criminosos.
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“Essas pessoas já cometeram crimes similares. Foi um trabalho rápido da Polícia Civil na identificação delas. Um já está preso e o outro em breve também estará preso. Eles identificaram que a vítima lidava com criptomoedas e, sabendo dessa informação, se passaram por policiais civis para praticar o crime”, afirmou o delegado José Carvalho de Araújo Júnior.
Rastreamento do dinheiro
A Polícia Civil informou que abriu uma nova frente de investigação para tentar localizar o destino das criptomoedas transferidas e recuperar os valores.Segundo o delegado, também será apurado se outras pessoas participaram do esquema.
A investigação descartou, até o momento, qualquer envolvimento da vítima com atividades criminosas. Conforme a polícia, o jovem trabalhava realizando conversões de reais em criptomoedas e recebia comissões pelo serviço, embora a origem dos valores movimentados continue sendo analisada.
“O trabalho agora é identificar e rastrear esses valores para tentar recuperá-los”, disse o delegado.
Prisão e investigação
O caso veio à tona após a prisão de um dos suspeitos na última sexta-feira. Ele foi detido depois de uma perseguição que começou em Pirassununga e terminou na Rodovia Anhanguera, em Nova Odessa.
Segundo a Polícia Militar Rodoviária, durante uma fiscalização, os dois ocupantes do veículo reagiram à abordagem, entraram em luta corporal com um policial e fugiram. Durante a perseguição, o motorista chegou a atirar contra os agentes, que revidaram.
Um dos suspeitos conseguiu escapar, enquanto o outro foi capturado. O preso foi identificado como Mateus Vinícius de Jesus dos Santos, de 26 anos. O segundo investigado, de 28 anos, já foi identificado, mas permanece foragido.
A Polícia Civil também investiga a origem das roupas, dos distintivos e dos documentos falsos utilizados para simular a ação policial, além da possível participação de outros envolvidos no crime.



